Engenharia 360

Confira como é o ciclo das Partículas de Microplásticos na natureza

Engenharia 360
por Maria Sousa
| 07/09/2022 | Atualizado à 3 horas 4 min

Confira como é o ciclo das Partículas de Microplásticos na natureza

por Maria Sousa | 07/09/2022 | Atualizado à 3 horas
Engenharia 360

Ao nível mundial, são produzidos milhões de plásticos anualmente para diversos fins de utilização – como nas engenharias. Consequentemente, alguns descartes de plásticos são realizados de forma incorreta e poluindo todo o meio ambiente.

Inclusive, devido ao descarte incorreto, esses materiais decompõem-se e sendo reduzidos a partículas menores – neste caso, denominadas de macroplásticos, microplásticos e nanoplásticos.

Universalmente, não existe uma definição estabelecida quanto a dimensão destas partículas. Mas, usualmente, considera-se que:

  • Partículas de Macroplásticos apresentam mais de 5 milímetros (mm);
  • Partículas de Microplásticos apresentam de 1 micrômetro (μm) à 5 milímetros (mm); e
  • Partículas de Nanoplásticos apresentam menos de 1 micrômetro (μm).
Partículas Microplásticos
Imagem reproduzida da Fotógrafa britânica Mandy Barker / Via exame

Sobre as partículas de microplásticos

Em relação às partículas de microplásticos, se tornaram uma preocupação global por gerar uma poluição “silenciosa” e invisível ao olho humano, que se espalha para todo o lado. Os microplásticos podem ser divididos em dois tipos: os microplásticos primários e os microplásticos secundários. Veja a seguir!

Microplásticos
Primários
Microplásticos
Secundários
São partículas fabricadas intencionalmente para serem utilizadas para fins comercias. Por exemplo, em produtos de higiene e cosméticos, tintas, tecidos, fertilizantes, entre outros.
Resultam-se da desintegração e fragmentação de plásticos maiores, causadas pelos processos fotoquímicos, intemperismo e biológicos, sob ação da luz solar, vento e água. Como, por exemplo, os resíduos plásticos, redes de pescas, desgastes dos pneus entre outros.
Partículas Microplásticos
Imagem reproduzida de Encouter Edu

Veja Também: Estudo mostra como poluição por plástico chega a diferentes ambientes

Composição dos microplásticos

Observa-se que o aumento desses microplásticos no meio ambiente tem origem principalmente na decomposição de resíduos plásticos, derivados dos microplásticos secundários e constituídos sobretudo de polímeros. Dentre eles:

  • Polietileno (PE);
  • Poliestireno (PS);
  • Polipropileno (PP);
  • Nylon;
  • Cloreto de polivinila (PVC);
  • Poliamida (PA); e
  • Politereftalato de etileno (PET).

Além do uso do polímero principal para fabricação dos plásticos, também são utilizados uma série de aditivos para melhorar o produto final, fazendo-o ter maior durabilidade, ductilidade, dureza e resistência ao clima. Posteriormente, produzidos em grandes escalas, vendidos mais baratos e descartados facilmente, mas que levam bastante tempo para se desintegrar.

Assim, por conta da sua durabilidade e lenta decomposição, essas partículas microplásticos – de dimensões bem pequenas – foram encontradas em diversos lugares e tipos de ambientes – desde correntes de águas (rios, mares, oceanos), no ar, sedimentos nas areias, áreas urbanas, em animais, alimentos e até mesmo dentro do próprio corpo humano (como nos pulmões, corrente sanguínea, fezes e na placenta).

Partículas Microplásticos
Imagem reproduzida por Autoria / Via Canva

Veja Também: Engenheira queniana encontra solução para transformar resíduos em tijolos plásticos altamente resistentes

Danos aos seres vivos

Acredita-se que o principal foco de exposição dos seres vivos aos microplásticos é através da inalação das partículas presentes no ar, como por meio do desgaste de pneus e pavimentos – por exemplo, no atrito dos pneus com o asfalto -, e através das fibras têxteis de plásticos – também pelo atrito de um membro do corpo com o outro-, entre outros fatores. Assim, essas pequenas partículas plásticas se dispersam pela atmosfera. Então, o mal acontece!

A poluição desses microplásticos na natureza aumenta devido ao descarte incorreto que chega nos oceanos, nas redes de esgotos, praias, etc., sem contar a cadeia alimentar. Infelizmente, a vida marinha ingere esses plásticos, que vão parar no organismo dos animais aquáticos. Por fim, peixes e outros frutos-do-mar são consumidos pelos seres humanos, que ficam também contaminados por essas partículas.

Até o momento, não se sabe realmente que efeitos sobre a saúde humana pode causar a contaminação de microplásticos, tampouco quanto tempo que essas pequenas partículas permanecem no organismo humano. Contudo, pesquisas científicas apontam que:

“(…) os humanos podem ingerir entre dezenas a cerca de 100 mil partículas de microplásticos por dia. Tal significa que, nos casos mais graves, cada pessoa pode estar a ingerir o equivalente à massa de um cartão de crédito por ano.” – trecho de reportagem publicada em site Azul – Público PT.

E devido a esta contaminação, podem aparecer anomalias nas células, além de reações alérgicas presentes nas correntes sanguíneas e pulmões, afetando o sistema endócrino ou hormônios.

Desta forma, para contribuir com a diminuição de plásticos e das partículas de microplásticos no mundo em geral, é importante:

  • Reduzir o consumo de plásticos;
  • Substituir tecidos de fibra sintética por algodão orgânico;
  • Dar preferência a embalagens de vidro ou material considerados sustentáveis;
  • Descartar o lixo corretamente;
  • Reutilizar e reciclar – como praticando o Upcycling;
  • Etc.

Veja, na ilustração a seguir, um resumo do ciclo das Partículas de Microplásticos na natureza:

Partículas Microplásticos
Imagem reproduzida por UFPR – Universidade federal do Paraná (Por: Yan Mesquita, Renata Nagai e Mateus Mengatto)

Então, gostou deste texto? Compartilhe a sua opinião conosco na aba de comentários!


Fontes: Exame; Azul/Público.pt; Apambiente; Portais.univasf; Estadão; Encounter Edu.

Engenharia 360

Maria Sousa

Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Evangélica de Goiás - UniEvangélica.

Comentários

LEIA O PRÓXIMO ARTIGO

Continue lendo