Muita gente só enxerga o conceito de ‘progresso’ como sinônimo de derrubada de mata para construção de infraestrutura. Mas já conversamos outras vezes aqui, no Engenharia 360, sobre as consequências do desmatamento desenfreado das florestas, incluindo impactos no agronegócio e na engenharia brasileira. Os números provam que a conservação ambiental é mais lucrativa.

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Essa discussão é polêmica, envolvendo questões éticas e financeiras. Mas o que você precisa saber por ora é que ecologia não é estratégia política. Dependemos da infraestrutura hídrica — inclusive, ela sustenta hoje 6,5% do PIB nacional. Você pode não saber, mas existe uma conexão importante entre uma árvore densa na Amazônia e a colheita de uma plantação no Mato Grosso.

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O preço bilionário da chuva amazônica

Um estudo internacional publicado recentemente na revista Communications Earth & Environment aponta que os serviços ecossistêmicos de produção de chuva da Amazônia Legal brasileira valem, no mínimo, US$ 19,6 bilhões por ano (aproximadamente R$ 100 bilhões).

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A conta foi feita assim: os pesquisadores cruzaram dados de satélites com modelos climáticos avançados para precificar esse serviço ecossistêmico. Parece que cada hectare de floresta intacta gera US$ 59,40 anuais em provisão de água, usando o custo médio agrícola de US$ 0,0198 por metro cúbico. Multiplicando pelos 330 milhões de hectares da Amazônia Legal, chega-se a US$ 19,6 bilhões por ano – mais de R$ 100 bilhões na cotação atual.

Resumindo, quanto mais quilômetros de florestas caem, menor umidade evapora da floresta, menos umidade evapora da floresta, menos rios voadores se formam, menos chuva cai e outras regiões do país e diferentes plantações morrem sem uma gota de água. Por isso, quando produtores rurais derrubam árvores, não estão apenas (talvez) cometendo crime ambiental, mas um suicídio econômico do próprio setor agro.

A engenharia dos rios voadores

A saber, uma única árvore de grande porte é capaz de bombear centenas de litros de água por dia.

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A Floresta Amazônica é como uma gigante máquina de reciclagem de água. Suas árvores absorvem a umidade do solo e a liberam (via evapotranspiração) para a atmosfera. Assim se formam os tais “rios voadores”, correntes de ar — entre 1,5 e 3 mil metros de altitude — que transportam umidade do Norte para o Centro, Sudeste e Sul do país, irrigando plantações de todo tipo. Quer dizer que sem essa contribuição, o regime hídrico do país colapsaria.

Aliás, vale destacar que culturas-chave demandam muita água:

  • Soja: 425 litros/m²/ano
  • Algodão: 607 litros/m²/ano
  • Milho: 501 litros/m²/ano
  • Trigo: 285 litros/m²/ano
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​O custo do desmatamento para a infraestrutura nacional

A cada 400 km² de desmatamento perdemos 3 mm de precipitação anual, segundo indicam modelos de engenharia. Então imagine o quanto já perdemos nas últimas décadas! Desde os anos 1970, foram 80 milhões de hectares derrubados — acredita? Isso equivale a US$ 4,8 bilhões/ano em chuva evaporada. Em contrapartida, precisamos comer mais, o que exige mais plantações e mais… chuva para irrigar as culturas. Entende o problema?

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Nosso papel como agentes de mudança

Os engenheiros e os profissionais do agro devem se importar com o que acontece na Amazônia e em outros biomas brasileiros — se não pensando no meio ambiente, pelo menos no bolso. Conservação de infraestrutura climática também é investimento; floresta em pé é um ativo. O desmatamento só amplifica riscos como secas, enchentes, alagamentos e deslizamentos. Depois não adianta chorar pela morte da natureza e a nossa.

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Fontes: G1, Tribuna do Agreste, Fiocruz.

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