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Casas de repouso podem implementar atividades de realidade virtual com idosos

por Kamila Jessie | 17/10/2019
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A gente costuma, de imediato, associar realidade virtual (VR) a jogos mais realistas. Mas há possibilidades de aplicações médicas e sociais. Exemplo disso é o uso de VR em casas de repouso de idosos, onde é comum o desenvolvimento de quadros depressivos vinculados à sensação de isolamento e experiências pouco instigantes. Com o intuito de superar isso, surgiu a ideia de empregar atividades com VR em casas de repouso e, com o perdão do trocadilho, o efeito pode ser surreal.

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Imagem: rendever.com

Trazer mais vida, inspirar e reconectar com a realidade

O uso de ferramentas associadas à realidade virtual permitem que a gente visite uma série de lugares impensáveis e também tenha toda uma experiência durante esse acesso. No caso de idosos, afastados de suas antigas casas, família e locais que outrora visitavam, a experiência com VR permite que essas pessoas possam reviver momentos que aquecem o coração: visitar locais da infância e juventude, dentre outros.

Além disso, a questão do isolamento por condições de saúde é capaz de gerar quadros depressivos e uma grande sensação de aprisionamento. Atividades com VR em casas de repouso de idosos são uma oportunidade para dar o check na bucket list de muitas pessoas, deixando as paredes da comunidade e tendo um engajamento com o resto do mundo de uma forma inovadora.

Outra coisa importante a ser pontuada é o poder da experiência compartilhada.  O envelhecimento geralmente leva à diminuição do envolvimento social. Por meio dessas atividades envolvendo novas tecnologias, diferentes da realidade cotidiana da casa de repouso, os residentes podem interagir e criar momentos memoráveis em conjunto, que serão novas lembranças e uma chance de conexão.

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Imagem: goonewsnetwork.org

Mas é real?

Os efeitos de implementar ferramentas como VR em casas de repouso podem parecer exagerados, mas é factual. Em um artigo científico publicado no ano passado, um estudo de campo realizado com idosos em comunidades assistidas para entender como o uso de um sistema de VR pode contribuir para seu bem-estar emocional e social.

Durante o estudo, foi realizada uma intervenção de duas semanas com um grupo experimental que usava um VR para visualizar conteúdos relacionados a viagens e relaxamento, e um grupo de controle que usava uma TV para visualizar o mesmo conteúdo.

O feedback coletado antes e após a intervenção mostrou que a aplicação de VR proporcionou mais benefícios em comparação com a condição de controle. Os participantes que usaram o sistema de VR relataram ser menos socialmente isolados, menos propensos a mostrar sinais de depressão, experimentando afetos positivos com mais frequência e se sentindo melhor com seu bem-estar geral.

Embora o estudo tenha limitações à sua generalização, os resultados mostram o potencial do uso de aplicativos de VR para melhorar a qualidade de vida dos idosos. A gente aprova a iniciativa.

Fonte: Rendever. International Conference on Human Aspects of IT for the Aged Population.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217

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