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Etanol no Cotidiano: Vantagens e Desafios da Energia Limpa

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por Giovanna Teodoro
| 12/07/2020 | Atualizado em 31/07/2023 6 min
Imagem de @aleksandarlittlewolf em Freepik

Etanol no Cotidiano: Vantagens e Desafios da Energia Limpa

por Giovanna Teodoro | 12/07/2020 | Atualizado em 31/07/2023
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Versáteis, os biocombustíveis podem ser utilizados de forma isolada ou mesmo adicionados aos combustíveis convencionais. No entanto, a utilização dessas novas fontes de energias não advindas do petróleo e menos maléficas ao meio ambiente não surgiu à toa. A tentativa de contornar a crise energética mundial baseada no petróleo, que há décadas assola não só o Brasil, é o ponto crucial para entender as energias renováveis derivadas de produtos como biomassa florestal, cana-de-açúcar e outras fontes orgânicas.

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O que é e por que usar Etanol?

Os combustíveis advindos do petróleo, devido aos produtos de suas combustões, poluem mais o meio ambiente do que outros. Esses combustíveis se constituem basicamente de hidrocarbonetos (compostos orgânicos que contêm átomos de carbono e hidrogênio) e substâncias constituídas de enxofre, nitrogênio, metais, oxigênio, etc.

Dentre os principais combustíveis compostos por esses hidrocarbonetos, podemos citar a gasolina, o gás liquefeito do petróleo (GLP), o gás natural (GNV) e o diesel. Com a crescente preocupação com os impactos ambientais causados pelas emissões de gases de efeito estufa, a busca por soluções sustentáveis tem ganhado relevância, e o etanol, um combustível largamente utilizado em motores de combustão interna, apresenta-se como uma alternativa promissora.

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O etanol é um combustível largamente utilizado em motores de combustão interna. Se comparados à gasolina, os álcoois, compostos orgânicos que têm o grupo funcional hidroxila (OH-), têm alto teor de oxigênio, portanto menor razão ar-combustível estequiométrica. Consequentemente, a cilindrada do motor (ou volume deslocado dentro do pistão) tende a ser menor. No entanto, ainda comparado ao hidrocarboneto, os álcoois têm aproximadamente metade da energia interna de combustão.

Desse modo, para obter a mesma potência do motor, a vazão de álcool precisa ser duplicada e, por consequência, o ar a ser inserido também, mantendo o volume deslocado inalterado, mas aumentando a capacidade dos injetores e bombas de combustível. Apesar desse desafio técnico, o etanol apresenta vantagens significativas em termos de redução de emissões de gases poluentes e impacto ambiental.

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Etanol x gasolina

A escolha entre etanol ou gasolina como combustível mais vantajoso depende de vários fatores, incluindo o preço relativo dos dois combustíveis, o consumo de combustível do veículo e a eficiência energética de cada um.

Resumidamente, a vantagem do etanol sobre a gasolina está relacionada principalmente ao seu preço em relação à gasolina. Se o preço do etanol estiver consideravelmente mais baixo em relação à gasolina (geralmente com uma proporção de até 70% do preço da gasolina), o etanol pode ser mais vantajoso, pois seu poder calorífico é menor do que o da gasolina e, portanto, o consumo de etanol pode ser maior para percorrer a mesma distância.

Por outro lado, se o preço do etanol estiver próximo ou acima de 70% do preço da gasolina, é mais provável que a gasolina seja mais vantajosa, devido à maior eficiência energética da gasolina e, consequentemente, ao menor consumo por quilômetro percorrido.

É importante notar que a decisão entre etanol e gasolina também pode ser influenciada por fatores ambientais e de sustentabilidade, uma vez que o etanol é considerado um biocombustível e pode ter impactos ambientais e sociais positivos em relação à gasolina, que é derivada do petróleo.

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Por que uma energia limpa?

Considerado um combustível renovável, o etanol, quando derivado da cana-de-açúcar em específico, não tem grandes impactos nas emissões de gases do efeito estufa se queimados em motores de combustão interna. Isso se deve ao fato de o CO2 gerado durante a queima do combustível ser absorvido via fotossíntese durante o crescimento da cana-de-açúcar e a possibilidade de utilizar os resíduos sólidos resultantes da produção do etanol como fonte de energia (elétrica ou térmica), reduzindo drasticamente o consumo energético do processo.

Quando avaliado todo o seu ciclo de vida, o consumo de combustíveis fósseis ainda é alto, devido à utilização de máquinas movidas a óleo diesel, pesticidas e grandes quantidades de água para irrigação que, normalmente, não são reaproveitadas. Assim, é possível esperar que com avanços tecnológicos no cultivo e processamento da cana-de-açúcar, o impacto ambiental do etanol como combustível seja ainda menor.

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No cenário mundial, o Brasil tem se destacado como o país desenvolvedor da fabricação de etanol mais avançada em termos de tecnologia. A produção mundial desse combustível é da ordem de 40 bilhões de litros, e o Brasil é responsável pela fabricação de 15 bilhões de litros. Essa posição de destaque é resultado de investimentos, pesquisas e políticas públicas que incentivaram o uso do etanol como alternativa aos combustíveis fósseis.

Incentivos e desafios

O Proálcool (Programa Nacional do Álcool), estabelecido na década de 1970, foi a primeira resposta do governo brasileiro para a crise do petróleo, promovendo a indústria de etanol. A pesquisa e investimentos na produção de etanol, entre 1974 e 1979, além do desenvolvimento de veículos movidos a etanol associado a políticas públicas, determinaram o sucesso do programa.

No início da década de 1990, ainda existia grande receio por parte dos consumidores em comprar carros movidos a álcool, pois haviam lidado com a escassez de etanol e tinham grande incerteza sobre a competitividade dos preços em relação à gasolina. Nos anos 2000, o aumento da quantidade de veículos flexfuel no mercado não garantiu a demanda por etanol.

É importante ressaltar que as políticas de incentivo feitas de forma descoordenada e baseadas em um horizonte de curto prazo geram instabilidade ao setor. Mesmo depois de anos de consolidação da indústria de etanol, sem a garantia de que essas políticas de incentivo sejam de fato instrumentos relevantes e utilizados de maneira clara, a indústria do álcool sempre será inferiorizada.

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Outro grande desafio é por parte das usinas que querem reduzir a quantidade dos subprodutos (bagaço e vinhaça) gerados durante a fabricação de etanol. Uma opção tem sido utilizar o bagaço como combustível durante o processo produtivo. Realizar uma fermentação contínua, reduzindo a quantidade de vinhaça em até 75%, também é uma alternativa.

Quebra de paradigma

Como visto, o etanol surge como uma limpa, eficiente e barata opção contra a utilização e o consumo do petróleo. Contudo, ainda existem transtornos, como grandes latifúndios monocultores e o próprio preconceito dos consumidores pela falta de informação ao pensar que carros movidos à álcool perdem potência ou têm desempenho inferior aos veículos movidos a gasolina. Além disso, o grande domínio dos países capitalistas ao difundirem o padrão de que o petróleo ainda é a única fonte de energia com alto potencial de uso eficácia real também representa um obstáculo significativo na adoção mais ampla do etanol como alternativa viável.

Para que ocorra uma verdadeira quebra de paradigma em relação ao uso de combustíveis, é necessário uma abordagem abrangente, que inclua educação e conscientização dos consumidores, políticas públicas estáveis e coerentes que incentivem o uso de biocombustíveis, investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e sustentáveis, além de um compromisso global para a transição energética rumo a uma economia de baixo carbono.

Somente com esforços conjuntos de governos, indústria e sociedade civil é possível superar os desafios e consolidar o etanol e outras fontes de energia limpa como parte integral de um futuro energético mais sustentável e ambientalmente responsável. Essa mudança de paradigma não apenas contribuirá para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas também impulsionará o progresso rumo a um modelo energético mais seguro, diversificado e resiliente para as gerações futuras.

Qual é a sua perspectiva em relação ao uso do etanol em nosso cotidiano? Fique à vontade para compartilhar suas opiniões nos comentários, engenheiro(a)!

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Fontes: FGV Energia; O Globo; O Petróleo; Automotivo; Brasil Escola.

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Giovanna Teodoro

Engenheira Mecânica e Pós Graduanda em Gerenciamento de Projetos. Mineira curiosa que se divide entre a engenharia, a leitura, a escrita e a música. Não carrego certezas, mas sigo querendo aprender.

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