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Combustíveis Sustentáveis: conheça mais sobre o etanol

por Giovanna Teodoro | 12/07/2020
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Nessa série teremos exemplos de biocombustíveis como o etanol, o biodiesel, o metanol e o hidrogênio para entender melhor o que são cada um deles e como seu uso impacta na sociedade e no mundo

Versáteis, os biocombustíveis podem ser utilizados de forma isolada ou mesmo adicionados aos combustíveis convencionais. Porém, a utilização dessas novas fontes de energias não advindas do petróleo e menos maléficas ao meio ambiente não surgiu à toa.

Tentar contornar a crise energética mundial baseada no petróleo que, desde a década de 1970, assola – não só – o Brasil é o ponto crucial para entender sobre energias renováveis derivados de produtos como biomassa florestal, cana-de-açúcar e outras fontes orgânicas.

ilustração sustentabilidade

Etanol: o que é e por que usar?

Os combustíveis advindos do petróleo, devido aos produtos de suas combustões, poluem mais o meio ambiente do que outros. Esses combustíveis se constituem basicamente de hidrocarbonetos (compostos orgânicos que contém átomos de carbono e hidrogênio) e substâncias constituídas de enxofre, nitrogênio, metais, oxigênio, etc.

Dentre os principais combustíveis compostos por esses hidrocarbonetos, podemos citar a gasolina, o gás liquefeito do petróleo (GLP), o gás natural (GNV) e o diesel.

etanol em béquer

Como toda ruptura provoca reações e enfrenta dificuldade, a troca das matrizes fósseis por sustentáveis tem sido protelada nas últimas décadas. Entretanto, devido aos grandes impactos causados pelos gases de efeito estufa, se tornou mais do que necessária a busca por essas novas soluções.

O etanol é um combustível largamente utilizado em motores de combustão interna. Se comparados à gasolina, os álcoois, compostos orgânicos que tem o grupo funcional hidroxila (OH-), têm alto teor de oxigênio, portanto menor razão ar-combustível estequiométrica. Consequentemente, a cilindrada do motor (ou volume deslocado dentro do pistão) tende a ser menor. No entanto, ainda comparada ao hidrocarboneto, os álcoois têm aproximadamente metade da energia interna de combustão.

Desse modo, para obter a mesma potência do motor, a vazão de álcool precisa ser duplicada e, por consequência, o ar a ser inserido também, mantendo o volume deslocado inalterado, mas aumentando a capacidade dos injetores e bombas de combustível.

Por que uma energia limpa?

Considerado um combustível renovável, o etanol, quando derivado da cana-de-açúcar em específico, não tem grandes impactos nas emissões de gases do efeito estufa se queimados em motores de combustão interna. Isso se deve ao fato de o CO2 gerado durante a queima do combustível ser absorvido via fotossíntese durante o crescimento da cana-de-açúcar e a possibilidade de utilizar os resíduos sólidos resultantes da produção do etanol como fonte de energia (elétrica ou térmica), reduzindo drasticamente o consumo energético do processo.

Quando avaliado todo o seu ciclo de vida, o consumo de combustíveis fósseis ainda é alto, devido à utilização de máquinas movidas à óleo diesel, pesticidas e grandes quantidades de água para irrigação que, normalmente, não são reaproveitadas. Assim é possível esperar que com avanços tecnológicos no cultivo e processamento da cana-de-açúcar, o impacto ambiental do etanol como combustível seja ainda menor.

carro composto por folhas

No cenário mundial, o Brasil tem se destacado como o país desenvolvedor da fabricação de etanol mais avançada em termos de tecnologia. A produção mundial desse combustível é da ordem de 40 bilhões de litros – o Brasil é responsável pela fabricação de 15 bilhões de litros.

Incentivos e desafios

O Proálcool (Programa Nacional do Álcool) que foi estabelecido na década de 1970 foi a primeira resposta do governo para a crise do petróleo, promovendo a indústria de etanol. A pesquisa e investimentos na produção de etanol, entre 1974 e 1979, além do desenvolvimento de veículos movidos a etanol associado a políticas públicas, determinaram o sucesso do programa.

No início da década de 1990, ainda existia grande receio por parte dos consumidores em comprar carros movidos a álcool, pois haviam lidado com a escassez de etanol e tinham grande incerteza sobre a competitividade dos preços em relação à gasolina. Nos anos 2000, o aumento da quantidade de veículos flexfuel no mercado não garantiu a demanda por etanol.

É importante ressaltar que as políticas de incentivo feitas de forma descoordenada e baseadas em um horizonte de curto prazo geram instabilidade ao setor. Mesmo depois de anos de consolidação da indústria de etanol, sem a garantia de que essas políticas de incentivo sejam de fato instrumentos relevantes e utilizados da maneira clara, a indústria do álcool sempre será inferiorizada.

bomba de combustível etanol e gasolina

Outro grande desafio é por parte das usinas que querem reduzir a quantidade dos subprodutos (bagaço e vinhaça) gerados durante a fabricação de etanol. Uma opção tem sido utilizar o bagaço como combustível durante o processo produtivo. Realizar uma fermentação contínua, reduzindo a quantidade de vinhaça em até 75% também é uma alternativa.

Quebra de paradigma

Como visto, o etanol surge como uma limpa, eficiente e barata opção contra a utilização e o consumo do petróleo. Contudo, ainda existem transtornos como grandes latifúndios monocultores, o próprio preconceito dos consumidores pela falta de informação ao pensar que carros movidos à álcool perdem potência ou tem desempenho inferior aos demais. Além disso, o grande domínio dos países capitalistas ao difundirem o padrão de que o petróleo ainda é a única fonte de energia com alto potencial de uso eficácia real.

Referências: FGV Energia; O Globo; O Petróleo; Automotivo; Brasil Escola.

Veja também: Microrganismo transforma gases do efeito estufa em outros compostos

E então, o que você pensa sobre a utilização do etanol no nosso cotidiano? Compartilhe sua opinião nos comentários, engenheiro (a)!

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Giovanna Teodoro

Engenheira Mecânica e Pós Graduanda em Gerenciamento de Projetos. Mineira curiosa que se divide entre a engenharia, a leitura, a escrita e a música. Não carrego certezas, mas sigo querendo aprender.

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