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Por que não existem disciplinas inúteis

por Colaboradores BDE | 17/02/2014
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Bom, primeiro, vamos definir qual é o papel de uma Universidade: formar profissionais que dominem diversos aspectos interdisciplinares da sua profissão, dando-lhes um leque de ferramentas e opções para inovar na sua área. A Universidade é um espaço para pesquisa e desenvolvimento de novas ideias. É neste espaço que a maioria das tecnologias que utilizamos em nossa vida cotidiana começa a germinar. Claro que existem muitas coisas úteis e revolucionárias que não surgiram em uma Universidade, mas este não é o escopo deste artigo.

Por Christian Richardt [GFDL (//www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (//creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-SA-2.0 (//creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons

Universidade de Cambridge

Alguns dizem que temos matérias não relacionadas com a profissão que escolhemos para melhorar nosso raciocínio lógico. Concordo com essa visão, mas eu acredito que haja algo ainda mais profundo, alguma coisa que poucos conseguem enxergar. Por exemplo, semestre passado eu tive uma matéria chamada “Desenvolvimento Humano e Social”. Você deve estar dizendo “que matéria inútil”, mas eu discordo com você. Eu acredito que o papel de um engenheiro no mundo é promover o desenvolvimento humano e social. Ora, a construção de um açude em uma região seca do Nordeste evita que as famílias deixem suas terras e pode até permitir que elas plantem e tenham uma fonte de renda. Se eu desenvolver um novo tipo de motor ou combustível ecológico que polua menos, que seja mais eficiente, que seja sustentável, eu estou ajudando a perpetuar a existência da vida humana em nosso pálido ponto azul. Eu poderia dar uma infinidade de outros exemplos, mas acredito que vocês já entenderam meu ponto de vista. Eu acredito que precisamos entender o papel da nossa profissão na sociedade, e com isso exercer a nossa profissão de maneira plena.
Foto da Terra tirada pela sonda espacial Voyager 1 a 6,4 bilhões de quilômetros de distância.

Foto da Terra tirada pela sonda espacial Voyager 1 a 6,4 bilhões de quilômetros de distância.


Outra reclamação bem comum é que as aulas de CAD são insuficientes para aprendermos o que o mercado de trabalho exige. Francamente, qualquer software no seu computador tem um texto enorme com o título de “Ajuda”. É só teclar F1. Vai aparecer uma janela com uma documentação exaustiva acerca do software e uma explicação detalhada de todas as suas funções, inclusive com exemplos. E se você quiser mais informação, a Autodesk tem um site inteiro para lhe ajudar. Dominar um software exige tempo e contato diário. Fazer projetos apressados em aulas semanais com certeza não irá fazê-los dominar software algum.
E por último, as aulas de programação (para aquele que não fazem Engenharia da Computação). Eu posso dizer, por experiência própria, que depois que você aprende o conceito básico (condicionais, loops, leitura de dados, etc.) é possível programar em qualquer linguagem de programação. A única coisa nova é a sintaxe. Por exemplo, a exibição de um “Olá Mundo!” em três linguagens de programação diferentes:
Em C:

#include <stdio .h>
int main(void)
{
    puts("Olá, Mundo!");
    return 0;
}

Em PHP:

<?php
echo 'Olá Mundo!';
?>

Em Python:

print("Olá, Mundo!")

Acho que deu para perceber que existem mais semelhanças que diferenças. Vocês podem ver mais 50 programas que imprimem a mesma mensagem na Wikipédia.
Se você quer aprender a programar e acha que isso pode ser útil (seja para criar poderosas macros no Excel, analisar grandes volumes de dados ou até criar um algoritmo para controlar os faróis da cidade visando diminuir o trânsito), você só precisa treinar. Desenvolva por si só projetos mais complexos, só por diversão. Até agora isso só me ajudou a estudar (principalmente) cálculo. Construir algoritmos para a resolução de exercícios me fez entender e fixar melhor as aulas de álgebra linear, cálculo e estatística.
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+ Texto por Douglas Moura. Estudante de Engenharia Civil, saxofonista amador e programador auto-didata, acredita que pode mudar o mundo um passo de cada vez. Ama jazz, software livre e ciências exatas.


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