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Blockchain na agricultura: quais os benefícios dessa tecnologia no campo?

por Samira Gomes | 20/10/2021

A tecnologia que possibilitou o advento dos bitcoins agora vem conquistando espaço dentro do agronegócio. Saiba mais!

O uso da Blockchain na agricultura tem sido muito observado em toda a cadeia produtiva do agronegócio. A tecnologia permite rastrear o envio e recebimento de diversos tipos de informações através da internet, o que contribui com a rastreabilidade nesse setor, desde a produção no campo até a venda no varejo. Confira, neste artigo, como funciona, quais os benefícios e como fazer uso dessa tendência do agronegócio!

agricultura
Imagem extraída de Shutterstock

O que é e como funciona a Blockchain?

O termo Blockchain surgiu para que os bitcoins – as tais moedas virtuais ou criptomoedas -, pudessem emergir. O conceito surgiu em 2008 no artigo acadêmico “Bitcoin: um sistema financeiro eletrônico peer-to-peer”, escrito por Satoshi Nakamoto (pseudônimo utilizado pelo provável criador do bitcoin). Nesse material, essa tecnologia é definida como “uma rede que marca o tempo das transações, colocando-as em uma cadeia contínua no ‘hash’, formando um registro que não pode ser alterado sem refazer todo o trabalho”.

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Analogia para um melhor entendimento

Os “trens”

Para entender como a Blockchain funciona, imagine um trem de brinquedo cujos trilhos estão dispostos pelo mundo, formando uma rede. Cada material é encaminhado por um vagão, validado por diversas máquinas. Em caso de aprovação, ele recebe um código complexo com letras e números e se une a outros vagões. Para tornar esse processo mais seguro, cada vagão carrega seu próprio código e o código do vagão anterior. Dessa forma, caso algum vagão for invadido, será necessário desvendar mais um código.

Essa cadeia de trens não possui dono. Por esse motivo, todos os envios são incluídos em um livro à disposição para qualquer indivíduo acessar. Entretanto, não é possível saber quem enviou ou o que foi enviado, somente quando houve o envio. É complexo colocar em práticas todas essas operações. Não são muitas as máquinas capazes de criar os códigos de cada vagão e uni-los com os outros, consequentemente elas são remuneradas por executar esse papel.

Os “trilhos”

Convertendo para termos técnicos, os trilhos que possibilitam a viagem dos trens pelo planeta são, na verdade, a computação em nuvem (cloud computing): uma tecnologia que permite processar uma maior quantidade de informações provindas da internet. Os vagões, por sua vez, representam um bloco com uma hash, que consiste em uma função matemática que seleciona um arquivo ou uma mensagem e produz um código composto por letras e números que simboliza os dados enviados.

As “mineradoras”

O livro, no qual todos os envios são registrados, corresponde ao ledger, que funciona como um tipo de documento em que todas as transações são guardadas. Essas informações podem ser vistas por qualquer pessoa, porém não é possível deletá-las. As pessoas responsáveis pela junção de um vagão ao outro são as mineradoras: encarregadas de calcular o hash correto para cada bloco, para formar a união entre eles. E, finalmente, os trens retratam a Blockchain (cadeia de blocos, traduzindo para o português).

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Agricultura
Imagem extraída de Sodawhiskey/Adobe Stock

Que soluções a Blockchain oferece ao agronegócio?

Com o aperfeiçoamento das suas utilidades, a Blockchain se tornou um livro-razão contábil. Nele estão incluídas informações que viabilizam, por exemplo, o rastreamento de produtos, que vem sendo cada vez mais exigido na agricultura. Essa cobrança é oriunda de países mais desenvolvidos e também dos brasileiros, visto que essa rastreabilidade facilita a identificação da origem dos alimentos até a mesa do consumidor.

Por meio do uso dessa inovação tecnológica, ainda é possível receber outras informações, tal como se um produto foi cultivado em área que não é de desmatamento ilegal, a proveniência de um selo orgânico e se é utilizada mão-de-obra escrava e/ou infantil na produção. Permitindo, assim, maior transparência com os consumidores no que tange à procedência de um alimento.

O setor de produção de cacau já aderiu ao uso da Blockchain no Brasil, além dos setores de grãos (especialmente soja) e pecuária de corte. Através da implementação dessa tecnologia, é possível comprovar para os parceiros comerciais todos os detalhes da produção de um determinado produto, assim como para o comprador. Nesse último caso, as informações podem ser acessadas por intermédio de um QR code e a leitura feita por um aparelho celular.

Observe abaixo algumas das funcionalidades da Blockchain no agronegócio:

Agricultura
Imagem extraída de Digital Agro

Quais as principais funções da Blockchain no campo?

A tecnologia Blockchain executa 3 funções básicas que contribuem com uma maior segurança, transparência e redução de custos da produção agrícola. Entenda como cada uma delas funciona:

1. Livro-razão distribuído

Todos têm acesso ao livro-razão, em que estão as informações dispostas e o registro empresarial. Já que é compartilhado e registrado apenas uma vez, o livro-razão impede ações duplicadas, como tipicamente acontece nas organizações.

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2. Contratos Inteligentes

Essa tecnologia contém contratos inteligentes em seu armazenamento, juntamente com um grupo de regras executadas de maneira automática. Essas regras indicam, por exemplo, as condições de pagamento, seguros, etc.

3. Registros fixos

Depois que um bloco é criado com informações sobre uma transação específica ou informações sobre rastreabilidade do produto, ele não pode ser alterado. Portanto, as informações devem ser incluídas com muito cuidado para evitar erros. As correções só podem ser feitas criando outro bloco, e todas as partes da transação podem usar os dois métodos. Dependendo das circunstâncias, o erro pode ser interpretado como malicioso.

Agricultura
Imagem extraída de Jesada Wongsa/Dreamstime.com

Você já conhecia essa tecnologia? Conta para nós nos comentários!


Fontes: Dia Rural, Blog Nubank, Canal Agro

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Samira Gomes

Engenheira de Produção em formação no Vale do São Francisco. Nordestina fascinada pela escrita e por tecnologia. Tem como objetivo levar conhecimento sobre engenharia, por meio da leitura, pois acredita no potencial das palavras para o enriquecimento intelectual.