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Modernismo brasileiro, Paulo Mendes da Rocha e a nova monumentalidade

por Simone Tagliani | 14/10/2020
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Em certo momento do modernismo brasileiro, os arquitetos no país resolveram explorar conceitos e fizeram propostas para a vida comunitária e uso do concreto armado e aço.

O modernismo foi um dos períodos mais emblemáticos da história da arquitetura mundial. Desde o seu início – ainda com os movimentos de vanguarda, no final do século XIX -, a expressão dos seus artistas foi notável. De fato, foi uma fase de muita intensidade conceitual, e não só no exterior, mas no Brasil também. Aqui em nosso país, o modernismo brasileiro revelou grandes nomes e mais movimentos, como o Brutalismo, Paulo Mendes da Rocha e a Escola Paulista.

FAU USP - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (imagem de Wikimedia)

O modernismo brasileiro

Vamos falar um pouco sobre o modernismo brasileiro. Certos aspectos de sua história chamam bastante a atenção. Por exemplo, por aqui, vários profissionais se espelharam em boas referências de arquitetura internacional, como Mies van der Rohe e Le Corbusier. Contudo, eles adaptaram as suas ideias às necessidades da nação ao qual pertenciam. Muitos seguiram, justamente, esta vocação social, criando estruturas capazes de regenerar o contexto urbano caótico e desarticulado das cidades brasileiras.

São nomes importantes do modernismo brasileiro: Lina Bo Bardi, Eduardo Reidy, Rino Levi, Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha.

Arq. Lina Bo Bardi, SESC Pompéia, São Paulo
Arq. Lina Bo Bardi, SESC Pompéia, São Paulo (imagem de Wikimedia)

O brutalismo do modernismo brasileiro

O brutalismo é um excelente exemplo de expressão arquitetônica do modernismo brasileiro dos anos 50 e 60. Em parte inspirado pelo brutalismo britânico, tem como principais características a abstração e simplificação de planos e linhas – tendo volumes com absolutamente nada de ornamentos. Seus edifícios demonstram solidez e texturas, sendo a maior parte construída em concreto armado e aço.

E o resultado disso é edifícios grandiosos, considerados até mesmo como uma “nova monumentalidade”, nada menos do que a prova irrefutável do alto domínio tecnológico destes projetistas – algo, talvez, jamais atingido de novo pela arquitetura brasileira!

Residência Vilanova Artigas
Residência Vilanova Artigas (imagem de Wikimedia)

Paulo Mendes da Rocha e a Escola Paulista

Um dos grupos de maior prestígio do modernismo brasileiro é a Escola Paulista. Um de seus representantes é o saudoso arquiteto Paulo Mendes da Rocha. As obras deste artista demonstram um caráter socialmente responsável. Havia uma vontade de estabelecer uma “nova ordem urbana à escala do homem moderno”. Ou seja, uma perspectiva nova, possivelmente potencializando a vida comunitária e os contatos humanos.

Os edifícios criados pela Escola Paulista apresentam formas fechadas para o exterior; em geral, são caixas elevadas sobre pilotis, com estruturas e instalações expostas, pátios internos guardando jardins e móveis fixos. É uma arquitetura formal e racional, sistemática, cheia de reduções, pesada, difícil de sustentar ou equilibrar. Mas tudo isto é o que a torna especial, linda e escultural! E poder observá-la é sempre uma experiência inigualável!

Veja, a seguir, duas grandes obras de Mendes da Rocha!

Residência Paulo Mendes da Rocha
Residência Paulo Mendes da Rocha em Butantã, São Paulo (imagem de OfHouses, em Flickr)

Museu de Arte Contemporânea de São Paulo

Criado em 1975, em parceria com Jorge Wilheim e Léo Tomchinsky, como ponto de união para os edifícios da Universidade de São Paulo, este museu é simplesmente gigantesco. Ele possui, do lado de fora, uma linda estrutura em balanço de concreto protendido e armado. Do lado de dentro, três níveis separados por lajes nervuradas e pilares de prumadas livres.

Museu de Arte Contemporânea
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, projeto de Paulo Mendes da Rocha (croquis do arquiteto compartilhado em Pinterest)

Museu Brasileiro de Escultura

Também em São Paulo, construído em 1986, trata-se de um museu de escultura e ecologia – aliás, o próprio edifício é uma escultura. Ele possui um gigantesco pórtico de concreto armado com 12 m de largura por 60 m de comprimento – um abrigo simbólico, contrastando com a escala das obras expostas e os seus observadores. A área em volta apresenta lindos espelhos d’água e jardins projetados pelo famoso paisagista Burle Marx. Mas as salas de exposição do museu ficam mesmo no subterrâneo – como se fosse um cofre guardando as obras.

Museu Brasileiro de Escultura
Museu Brasileiro de Escultura de São Paulo, MUBE (imagem de Wikimedia).

Convidamos agora você a conhecer outra parte importante da história da arquitetura, o surgimento dos primeiros arranha-céus em Chicago, em 1884. Clique aqui e saiba mais!

Então, o que achou das obras de Paulo Mendes da Rocha e do modernismo brasileiro? Comente!

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Simone Tagliani

Graduada em Arquiteta & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.

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