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Mentalidade Enxuta: os princípios do Lean Manufacturing

por Rafael Tadeu de Matos Ribeiro | 13/09/2016
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Certamente já ouvimos falar ou lemos algum case que descreve as maravilhas que o Lean Manufacturing pode trazer para as organizações e como a aplicação dos conceitos da produção enxuta podem revolucionar as operações. Porém como isso é possível? Quais são os princípios que devem ser seguidos e como eles se relacionam ao “mundo real”? Para entender melhor sobre esse assunto, devemos conhecer os pilares que sustentam essa filosofia.
Segundo James P. Womack, o pensamento enxuto é uma forma de especificar valor, isto é, de alinhar na melhor sequência as ações que criam valor, realizar essas atividades sem interrupção toda vez que alguém as solicita e de forma cada vez mais eficaz. Em suma, o pensamento enxuto é enxuto porque é uma forma de fazer cada vez mais com cada vez menos – menos esforço humano, menos equipamentos, menos tempo e menos espaço e ao mesmo tempo, aproximar-se cada vez mais de oferecer aos clientes exatamente o que eles desejam.
Basicamente podemos entender que, os princípios enxutos possuem cinco pilares básicos: Valor, Fluxo de valor, Fluxo, Puxar e Perfeição. Em um sistema de produção enxuto esses cinco princípios são trabalhados simultaneamente com o objetivo de maximizar os resultados e minimizar as perdas.

VALOR

O ponto de partida essencial para o pensamento enxuto é o valor, que só é significativo quando expresso em termos de um produto específico, que atenda às necessidades do cliente, a um preço específico, em um momento específico.
O valor é tudo aquilo que os clientes consideram importantes em um produto e é o ponto motivador que faz o consumidor adquirir certo produto de uma determinada empresa. O conceito de valor de um produto está diretamente ligado ao conceito de qualidade na visão do cliente e pode ser expresso por diversas formas, como: a cor, a forma, o tamanho, a tecnologia agregada, funcionalidade, embalagem, a força da marca no mercado e o preço final do produto.
Em suma, especificar o valor de maneira precisa com base nas reais necessidades dos clientes é o primeiro passo para a aplicação do pensamento enxuto. Temos que ter em mente que oferecer um bem ou serviço errado, mesmo que da forma certa, é desperdício.
 

 

FLUXO DE VALOR

Um fluxo de valor é o resultado da somatória de todas as ações que, agregando valor ou não, são necessárias para levar um produto por todas as etapas do processo produtivo até o cliente.
Com base nessa definição e analisando o fluxo de valor, é possível diferenciar as ações que ocorrem ao longo do processo, entre ações que agregam valor e ações que não agregam valor:

  • Etapas que agregam valor: são as etapas do processo produtivo que efetivamente transformam as matérias primas com o objetivo de dar forma ao produto final; nessas etapas o produto ganha atributos que os clientes reconhecem e estão dispostos a pagar por elas.
  • Etapas que não agregam valor: são as etapas completamente desnecessárias ou repetitivas dentro de um processo produtivo, onde o cliente não as reconhece como valor e por isso não está disposto a pagar pelas mesmas.

 

O valor percorrendo todas as etapas dentro da organização até o cliente final


 

FLUXO

O fluxo contínuo significa produzir uma peça de cada vez, com cada item sendo passado imediatamente de um estágio do processo para o seguinte sem nenhuma parada ou desperdícios entre eles.
O livro “Aprendendo a enxergar”, dos autores Rother E Shook, define fluxo da seguinte maneira: uma vez que o valor tenha sido especificado com precisão, o fluxo de valor do produto totalmente determinado e as etapas que não agregam valor eliminadas, chegou a hora de dar um passo muito importante no pensamento enxuto, fazer com que as etapas que realmente geram valor, fluam em fluxo contínuo abrangendo o maior número de etapas do processo que for possível. Essa etapa exige uma mudança completa de mentalidade, é preciso combater a ideia de que fabricar em lotes é mais eficiente.
 

Fluxo contínuo do produto entre as etapas do processo, evitando desperdícios


 

PUXAR

Puxar significa que um processo inicial não deve produzir um bem ou um serviço sem que o cliente de um processo posterior o solicite, embora na prática essa regra seja um pouco mais complicada. A melhor forma de compreender a lógica e o desafio do conceito de puxar é começar com um cliente real expressando a demanda por um produto real e caminhar no sentido inverso, percorrendo todas as etapas necessárias para levar o produto ao cliente.
 

A produção puxada tem como objetivo atender estritamente a demanda do cliente


 

PERFEIÇÃO

Esse princípio tem como foco a eliminação progressiva dos desperdícios e está fortemente ligado à integração total dos outros quatro conceitos descritos anteriormente. Podemos entender que a perfeição é alcançada quando um processo fornece valor, conforme definido pelo o cliente, sem qualquer tipo de desperdício.
Obviamente que colocar em prática esse ponto da metodologia não é tarefa fácil, por isso os esforços de melhorias devem ser fortemente incentivados e devem seguir continuamente a fim de alcançar a plena satisfação dos clientes.
 

A perfeição deve ser perseguida através da melhoria contínua.


 
Como podemos observar, o Lean Manufacturing segue uma metodologia baseada em cinco princípios básicos (Valor, Fluxo de valor, Fluxo, Puxar e Perfeição), dos quais, quando aplicados em conjunto, geram grande sinergia em busca da melhoria contínua das operações. Porém a aplicação desses conceitos, requer a mudança de atitude da corporação e a da forma de agir de todos os envolvidos.

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