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Quais os prós e contras das hidrelétricas no norte do país?

por José Joebson Lima | 05/08/2016
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Não faz muitos dias, um de meus professores com larga experiência e um currículo parrudo, engordado por participação em pesquisas e projetos ligados à Gestão dos Recursos Naturais (com ênfase na Gestão Ambiental), falou sobre a construção de hidrelétricas no norte do país. Isso aconteceu após um aluno (eu) fazer a seguinte pergunta: “professor, o que o senhor pensa sobre este tipo de projeto (complexos hidrelétricos) na Amazônia e na circunvizinhança?”. A resposta foi dura, embasada e imediata: “acho um absurdo”!
Aquela resposta não era suficiente para mim. Depois de perguntar o por quê, ele explicou seu ponto de vista técnico: o Norte do Brasil, diferente do Nordeste, não nos favorece com sua geologia para o barramento de rios para construção de usinas de geração de energia. O Nordeste apresenta, em muitos casos, boqueirões que são montanhas que propiciam que o trecho do rio passem entre eles, facilitando naturalmente a construção ou levantamento de estrutura que venha barrar o curso d’água corrente. Já no Norte, em resumo, precisamos alagar um perímetro que devastará boa parte da vegetação e desequilibrará de certa forma as atividades dos ecossistemas locais.
 
Começo o artigo chamando a discussão para esse assunto. Se, de uma lado temos geração de energia sustentável, do outro lado temos a supressão, perda total e/ou parcial de ecossistemas que equilibram o ambiente e padronizam, dão celeridade, em escala global, a uma série de acontecimentos naturais dos quais a vida é o fator culminante. Isso precisa ser citado. Porém, a missão da Engenharia não é barrar projetos, como também não é concebê-los de qualquer forma, sem um detalhado estudo de viabilidade.

Drenagem Natural.

Drenagem Natural.


 
O Brasil possui privilegiado acervo hídrico e a maior parte dele está no Norte, que não propicia bons barramentos. Para barrar, é preciso alagar áreas, tirar pessoas, animais (fauna) e flora (vegetação). No Nordeste, pela menor média pluviométrica, é possível até ter hidrelétricas (e temos!), porém com um potencial menor – a exceção de Sobradinho e Paulo Afonso, e outras.
No Norte, gerar energia para 10% da população, por meio da energia hidráulica, com balanço de perda de potencial calculado, é algo perfeitamente possível. Belo Monte, por exemplo, que barra o rio Xingú no município de Altamira, precisou alagar uma área equivalente a cidade de Natal (RN) para acontecer, porém gerando 11.233,1 MW instalados, médios 4.500 MW. Foram feitos estudos avançadíssimos na bacia de drenagem desse rio (o que não deveria ser diferente, convenhamos).
Há nesse pacote as Medidas Compensatórias que são uma obrigatoriedade legal, junto com seus Projetos Básicos Ambientais, trazendo às comunidades afetadas saneamento básico e ambiental, construção de escolas e hospitais, assim como garantia da atividade sustentável das pessoas que antes ocupavam as áreas de atuação das usinas.
Belo Monte.

Belo Monte.


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Feitas as ponderações, a verdade é que tudo gera impacto, seja em escala micro ou macro. Estamos o tempo todo alterando a paisagem, construindo, gerando, investindo em novas fontes e o objetivo principal é fazer com que isso aconteça dentro das mais desafiadoras possibilidades com muito critério. Sempre haverão prós e contras, os que  defendem e os que criticam. O papel da Engenharia nesse caso é ser a resposta!

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