A indústria automotiva está constantemente lançando novas tecnologias, design e produtos, desafiando as convenções do setor. Ainda em 2025, um dos maiores destaques na categoria de SUVs compactos e médios foi o Ford Maverick, que veio para substituir a antiga FX4 (em reposicionamento de produto), rompendo a hegemonia dos utilitários esportivos.


Recentemente, o Engenharia 360 teve a chance de fazer um teste em um Lariat — hoje à venda no mercado em torno de R$220 mil. Confira nossas percepções no artigo a seguir!
Estrutura e design do modelo Lariat Black
De imediato, ao analisarmos a engenharia do Maverick, percebemos os ajustes finos que a Ford fez em sua linha para a criação do Lariat, demonstrando muita entrega de valor e de técnica. Visualmente, a marca apostou num minimalismo agressivo.
A nova grade frontal, em estilo colmeia, chama bastante atenção. Também os faróis mais finos — que nos parecem evocar a assinatura em “F” — e as rodas de 17 polegadas com acabamento escuro seguem a tendência global de simplificação estética. A inclusão de sensores de estacionamento dianteiros e traseiros (somados ao sistema de visão 360 graus) parece corrigir uma lacuna importante nesse design.


Graças a toda essa tecnologia, manobrar um veículo de 5.096 mm de comprimento em um espaço urbano apertado deixa de ser um exercício de adivinhação para se tornar uma tarefa técnica precisa.
Plataforma C2
Algo importante que devemos destacar da engenharia do Maverick é a sua plataforma C2. Entenda que, diferente de outras picapes médias tradicionais, que utilizam chassis de longarinas e feixes de molas, o diferencial desse Ford é ter sua base construída sobre estrutura monobloco. A saber, essa é a mesma arquitetura aplicada em modelos como Focus e Bronco Sport.
Na prática, tem-se uma entrega maior de rigidez torcional e precisão direcional. Com o volante em mãos, temos a sensação de pilotar um “carro de passeio” e talvez essa seja uma consequência da suspensão traseira. Essa picape não parece hesitar ou perder aderência em uma curva irregular, mantendo-se firme e permitindo que as rodas se movam de forma independente para absorver o asfalto sem comprometer a trajetória.
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Modularidade e interior
A picape Ford Maverick possui um excelente ecossistema de carga pelo seu porte e posicionamento de mercado. Sua capacidade é de 618 kg, com 943 litros de volume de caçamba. Pode-se dizer que isso atende satisfatoriamente a um entusiasta de esportes ao ar livre e até o uso familiar pesado.

Ainda falando em espaço, vale destacar a largura de 1.844 mm e os 3.075 mm de entre-eixos, garantindo que dois adultos viajem com conforto para os joelhos. Já a altura de 1.733 mm mantém o centro de gravidade controlado — considerando o porte dessa picape.
Do lado de dentro, o modelo Ford Maverick pode decepcionar um pouco, os engenheiros norte-americanos parecem ter colocado a funcionalidade acima da sofisticação. É possível notar muitos itens feitos em plástico rígido — pelo menos o acabamento é bem feito, sem rebarbas ou ruídos estruturais. No geral, falta certo requinte.




A central multimídia de 13,2 polegadas chama a atenção e, certamente, melhora a experiência digital — embora concentrar comandos na tela prejudique um pouco a ergonomia tátil, apesar de os botões físicos ajudarem nessas horas. E para nossa surpresa, a versão Lariat vem com teto solar e sistema de som premium B&O. Isso pode ser um indicativo de que a Ford tentou, de alguma forma, compensar o usuário entregando mais em áreas estratégicas.
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Segurança ativa e eletrônica embarcada
O Ford Maverick apresenta uma engenharia com muitas soluções para segurança ativa e assistência, incluindo controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de centralização em faixa, monitor de ponto cego com cobertura para reboque, e frenagem autônoma de emergência. O veículo soma 7 airbags e ABS, formando um pacote consistente. Os engenheiros de plantão vão gostar de saber da integração de sensores com algoritmos.
Performance e eficiência com EcoBoost
O motor 2.0 EcoBoost é considerado o sistema nervoso da picape Ford Maverick. Essa máquina possui um rendimento de 253 cv e 38,7 kgfm de torque. A relação peso-potência parece ser correta.


Durante nossos testes, conseguimos acelerar de 0 a 100 km/h em 7 segundos. A Maverick registrou 9,0 km/l na cidade e 11,7 km/l na estrada (abastecimento com gasolina). É um equilíbrio entre a injeção direta de combustível e o turbocompressor de baixa inércia que permite torque máximo já aos 3.000 rpm, garantindo ultrapassagens seguras e retomadas vigorosas sem o “lag” excessivo de motores maiores e menos modernos.

Veredito final sobre a picape Ford Maverick
O Ford Maverick que testamos demonstra ser um conjunto mecânico maduro, previsível e eficiente. Sua maior virtude é a integração entre plataforma moderna, motorização eficiente e versatilidade estrutural. Mas o ponto de atenção continua sendo o acabamento interno simplificado — algo que pode incomodar quem associa preço a luxo. Por outro lado, tecnicamente falando, é difícil ignorar o conjunto (estrutura monobloco, tração integral e motor turbo de alta performance).
Veja Também: Ford Maverick Hybrid revolucionando o mercado de picapes
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Eduardo Mikail
Engenheiro Civil e empresário. Fundador da Mikail Engenharia, e do portal Engenharia360.com, um dos pioneiros e o maior site de engenharia independente no Brasil. É formado também em Administração com especialização em Marketing pela ESPM. Acredita que o conhecimento é a maior riqueza do ser humano.
