Desde a Segunda Guerra Mundial e o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, o mundo tem vivido sob grande tensão. Estados Unidos e União Soviética passaram a disputar liderança global, investindo pesado em projetos de defesa e ataque militar. A situação se agravou após a dissolução do regime soviético e a independência de nações produtoras de urânio, como o Cazaquistão.
Agora vivemos o que os especialistas chamam de Terceira Guerra Fria. Nesse contexto, o governo de Donald Trump (em seu segundo mandato iniciado em 2025) está acelerando o desenvolvimento de um sistema de defesa antimíssil altamente avançado chamado de Domo de Ouro (Golden Dome).
Esse grande escudo aéreo seria semelhante ao famoso Domo de Ferro de Israel, sendo capaz de interceptar mísseis balísticos, hipersônicos e nucleares diretamente no espaço. O projeto, anunciado oficialmente em maio de 2024, ganhou novo fôlego com um decreto presidencial em janeiro de 2025. Acredita-se que esse sistema servirá para proteger o território americano de ameaças estratégicas vindas de potências como China e Rússia, além da Coreia do Norte.
Como seria o Domo de Ouro dos Estados Unidos?
Antes de tudo, vale destacar que o Domo de Ferro de Israel foi projetado para ser um sistema móvel de interceptação de foguetes de curto alcance; o Domo de Ouro dos Estados Unidos seria muito mais abrangente e sofisticado.
O plano prevê quatro camadas de defesa: uma espacial e três terrestres, com 11 baterias de curto alcance distribuídas pelos EUA continentais, Alasca e Havaí. Seu projeto prevê a instalação de satélites espaciais equipados com sensores e interceptadores que atuariam em várias fases do voo de um míssil inimigo, desde a sua detecção antes do lançamento até a sua destruição nos estágios inicial, intermediário ou final da trajetória.

Funcionamento
A saber, essa constelação seria composta de centenas de satélites de monitoramento no espaço. O objetivo principal é neutralizar alvos na “fase de impulso” (estágio inicial da trajetória).
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Serão múltiplas fases do ataque, criando uma cadeia de defesa integrada (terra, mar e espaço) e em camadas. O Pentágono busca ter a infraestrutura básica de rastreamento pronta em cerca de 18 meses, embora a capacidade plena só seja esperada para meados de 2028 ou 2029.
A ideia é que o sistema funcione de forma automática e contínua, garantindo resposta imediata a qualquer tentativa de ataque. O custo estimado atual é de cerca de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão), com o Congresso americano já destinando dezenas de bilhões para o orçamento de 2026.

O fator estratégico da Groenlândia
Recentemente, o presidente Trump revelou que a Groenlândia é “vital” para o sucesso do Domo de Ouro. Por estar na rota aérea mais curta entre a Rússia e os EUA, a ilha permitiria a instalação de radares e interceptadores terrestres cruciais para a detecção antecipada. Além disso, o controle da região garantiria o monitoramento de rotas marítimas no Ártico (lacuna GIUK) e acesso a minerais críticos e terras raras, essenciais para tecnologias de defesa. Essa insistência americana em aumentar sua presença na ilha gerou impasses diplomáticos com a Dinamarca e a Otan.
Qual a explicação de engenharia do Domo de Ouro?
Se o Domo de Ouro for realmente executado, será uma tecnologia única, como nenhum outro sistema de defesa do qual já tivemos conhecimento. Imagine o poder dessa combinação: Inteligência Artificial, sensores infravermelhos de longo alcance e interceptadores autônomos.
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Componentes espaciais
A explicação divulgada pelo Governo Americano sobre o Domo de Ouro é que seria uma rede de satélites posicionados em órbita de baixa Terra (LEO – Low Earth Orbit). Cada satélite seria equipado com sensores extremamente sensíveis, capazes de captar sinais térmicos mínimos, mesmo em grandes distâncias.
O sistema do Domo poderá calcular a trajetória e identificar o destino provável de um projétil, comunicar-se em tempo real com outras unidades para planejar a interceptação, e acionar interceptadores espaciais que voaram até o alvo para destruí-lo. Também contará com criptografia avançada para evitar ataques cibernéticos ou interferências adversárias. E, além disso, será guiado por softwares de IA treinados em múltiplos cenários de combate, inclusive ataques coordenados com dezenas ou centenas de mísseis.
Componentes terrestres
Além da infraestrutura espacial, o Domo de Ouro contará com estações de comando e controle localizadas em solo, onde oficiais militares monitorarão o funcionamento do sistema. Essas estações estarão conectadas a centros de inteligência e agências como a NSA e a CIA. E a integração entre Terra e espaço dependerá de redes de comunicação seguras e rápidas, além de supercomputadores dedicados às análises de dados.
Em nota conjunta com a Casa Branca, o Pentágono declarou que, em tal situação, deverá usar soluções de empresas de tecnologia com expertise em Big Data e Machine Learning.


O papel das empresas privadas e de Elon Musk
É bem provável que empresas como a SpaceX, de Elon Musk, ganhem destaque na infraestrutura de lançamento. Os boatos sobre um modelo de “serviço de assinatura”, em que o governo pagaria mensalmente pelo acesso ao sistema, levantam preocupações sobre a dependência de entes privados. Além da SpaceX, outras empresas como a Palantir Technologies e a Anduril Industries também concorrem para fornecer componentes de software e automação.

Qual a reação do mundo diante da construção do Domo de Ouro?
Especialistas levantam questionamentos sobre o papel de Elon Musk nesse empreendimento, inclusive sugerindo uma possível ruptura com os métodos convencionais de aquisição militar. Um dos aspectos mais controversos envolve o modelo de serviço de assinatura proposto pela SpaceX. Além disso, o público americano expressa suas próprias inquietações quanto à dependência governamental da empresa, aos custos envolvidos no projeto e aos potenciais conflitos geopolíticos globais.
Nos últimos meses, a reação global tem sido de forte oposição. Rússia e China classificaram o projeto como “profundamente desestabilizador” e uma ameaça de “ataque preventivo”. Na Europa, países como Alemanha e França enviaram tropas para exercícios na Groenlândia, reforçando que a defesa da ilha deve ser uma responsabilidade coletiva da Otan, e não uma decisão unilateral dos Estados Unidos.”
Veja Também: O Domo de Ferro: Tecnologia para Defesa de Israel
Fontes: CNN, G1, Olhar Digital, UOL, Infomoney.
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