Pesquisadores brasileiros estão transformando caroços de açaí e tucumã em asfalto sustentável, combustíveis verdes e, de quebra, soluções que podem reposicionar a Amazônia no mapa da inovação global. Esta boa notícia foi apresentada durante a COP 30, em novembro de 2025, em Belém.

O nome dessa revolução é bioasfalto, e ele promete reduzir a poluição do asfalto tradicional, fortalecer cadeias produtivas locais e mostrar que dá sim para unir engenharia pesada, biodiversidade e sustentabilidade. Mais ainda: essa solução está nascendo diretamente de um dos frutos mais queridos e consumidos do Brasil — o açaí.

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Mas afinal, o que exatamente é o bioasfalto? E quais são as novidades que estão deixando o setor de pavimentação em alerta? O Engenharia 360 te conta no artigo a seguir. Confira!

O que é bioasfalto

O bioasfalto nada mais é do que um tipo de asfalto produzido a partir de materiais renováveis, como biomassas vegetais e resíduos agrícolas. Em vez de depender de petróleo, que libera compostos tóxicos e contribui para vários impactos ambientais, os pesquisadores usam fontes naturais como:

  • óleos vegetais,
  • látex,
  • celulose,
  • açúcar,
  • molasses,
  • e… resíduos de frutas amazônicas.

Na Amazônia, a estrela dessa história é o caroço de açaí, que representa cerca de 80% do fruto e gera milhares de toneladas de descarte todo mês. É esse “lixo” que a ciência brasileira está transformando em um asfalto com desempenho parecido — ou até superior — ao convencional.

Como o caroço de açaí vira asfalto?

Os pesquisadores da UFPA, liderados pelo professor Nélio Machado, explicam que o bioasfalto surge como resíduo do processo de fracionamento do bio-óleo gerado pela pirólise dos caroços.

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bioasfalto
Imagem de Joanna Kosinska em Unsplash

Passo a passo, o processo é assim:

  1. Coleta dos caroços — toneladas de resíduo que antes eram descartadas.
  2. Pré-tratamento — secagem, moagem e peneiramento dos caroços.
  3. Impregnação química — os caroços são impregnados com uma base química.
  4. Pirólise — a biomassa é aquecida sem oxigênio, gerando um bio-óleo.
  5. Separação das fases — o bio-óleo é separado da parte aquosa.
  6. Destilação — dessa etapa surgem diversos biocombustíveis:
    • gasolina verde,
    • querosene verde,
    • diesel leve,
    • diesel pesado,
    • e o bioasfalto, que é o produto de fundo do processo.

O mais surpreendente? Esse bioasfalto possui as mesmas características do asfalto tradicional de petróleo e pode ser usado como ligante asfáltico, misturado com seixo e areia para pavimentação de estradas e outros espaços de transporte.

bioasfalto
Imagem de National Institute of Allergy and Infectious Diseases em Unsplash

Por que essa tecnologia é tão importante?

O bioasfalto resolve dois problemas gigantes ao mesmo tempo:

1. Reduz a poluição

O asfalto tradicional libera compostos tóxicos e depende totalmente de petróleo. O bioasfalto não libera poluentes tóxicos, segundo os pesquisadores.

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2. Dá destino nobre ao resíduo do açaí

O caroço do açaí deixa de entupir lixões e rios e vira matéria-prima.

3. Fortalece a bioeconomia amazônica

A cadeia do açaí é uma das maiores da região — transformar o resíduo em um produto de alto valor agrega renda e cria novos setores industriais.

4. Mantém o desempenho

Para completar, o bioasfalto é praticamente idêntico ao asfalto convencional, com vantagens ambientais que o tornam ainda mais atrativo.

bioasfalto
Imagem de Karsten Würth em Unsplash

Como o bioasfalto pode substituir o asfalto de petróleo?

Antes de tudo, é preciso destacar que a tecnologia de bioasfalto descrita neste texto é realmente inédita no Brasil. Mais do que tecnologia, o projeto é visto como um modelo de desenvolvimento sustentável, que pode ser replicado para outros resíduos agroindustriais e outras regiões.

O processo desenvolvido pelos pesquisadores amazônicos está agora sendo patenteado. Os testes mostram maior aderência e resistência, além de impacto ambiental muito menor. A equipe de pesquisadores até já operou uma unidade piloto com capacidade de 150 litros, onde já foi analizada a caracterização do ligante asfáltico são realizados.

O próximo capítulo da engenharia sustentável

Enquanto boa parte do mundo ainda discute alternativas ao petróleo, a Amazônia simplesmente propõe pegar seus resíduos e transformar em algo revolucionário. O bioasfalto feito de caroços de açaí e tucumã não é apenas uma inovação bonita de se ver: é um caminho real, testado, viável e ambientalmente estratégico.

bioasfalto
Imagem de Andres Medina em Unsplash

Veja Também: Brasileiros desenvolvem concreto verde a base de fibras de coco e resíduos de mineração


Fontes: O Liberal, ac24 Agro, Wikipédia.

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Engenharia 360

Eduardo Mikail

Engenheiro Civil e empresário. Fundador da Mikail Engenharia, e do portal Engenharia360.com, um dos pioneiros e o maior site de engenharia independente no Brasil. É formado também em Administração com especialização em Marketing pela ESPM. Acredita que o conhecimento é a maior riqueza do ser humano.