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Polêmica! Alunos da USP vão à Justiça por direito de estagiar

por Redação 360 | 06/07/2021

A USP apresenta regras que dificultam que alunos de engenhariam cumpram seus estágios e permaneçam na instituição. Saiba mais!

Recentemente, o portal G1 da Globo fez uma reportagem destacando que estudantes da Faculdade de Engenharia da USP – a Universidade de São Paulo – foram à justiça contra regras que limitam a realização de estágios durante o curso. De um lado da polêmica, a instituição, que restringiu o número de horas semanais de estágio e vetou contratos de alunos que tenham mais de duas dependências (reprovações) em disciplinas do início da graduação. De outro, os alunos, que dizem ter dificuldade de manter o ritmo de aulas, trabalhar e ajudar a família. Saiba mais no texto a seguir!

usp
Das 2,4 mil instiuições existente, a USP por anos é considerada uma das melhores universidades do país.

‘Difícil é a vida’

Quem viveu os anos noventa e dois mil lembra-se do slogan na propaganda de um cursinho que dizia ‘vestibular é fácil, difícil é a vida’. Em parte, isto se referia ao fato de que é muito difícil concluir um curso de graduação. As pessoas que buscam as instituições públicas quase sempre não podem pagar cursos em faculdades privadas e têm dificuldade em conciliar sustento, estágio e aulas por vários anos. É uma montanha-russa sentimental e, em meio a isso, o estresse de passar nas disciplinas e continuar sustentando a família. Não é à toa que o número de desistências no Ensino Superior brasileiro é alto!

Infelizmente, é mais comum ainda alunos que pagam mensalidades em faculdades privadas e mal assistem às aulas apenas para que essas instituições particulares assinem o contrato. Outros estudantes aceitam ofertas informais de emprego. Depois, têm a triste revelação de que estes empregos – principalmente se forem remunerados – não contarão como créditos de estágio obrigatório. O que acontece agora? As instituições estão colocando limites em seus contratos que praticamente inviabilizam que os estudantes consigam se sustentar e estudar ao mesmo tempo ou, pelo menos, terminar o seu curso dentro do tempo mínimo possível.

Jovem nervosa durante entrevista
Imagem: freepik.com

Pouco tempo para muitas horas

Olha que interessante! Estudantes dos cursos de licenciatura pelo país precisam cumprir horas de estágio em escolas – ensinando para crianças, adolescentes e alunos. Estes ciclos só podem ser cumpridos a partir de certo semestre, mais para o fim da graduação. Só que o número de horas exigidas não pode ser cumprido no tempo que ainda resta de curso. Ou seja, corre o risco da pessoa, mesmo sem repetir nenhuma disciplina, ficar mais um ou dois semestres na faculdade – talvez pagando mensalidade – apenas para cumprir as horas de estágio.

Caso USP

De acordo com a legislação brasileira permite que as instituições de ensino “elaborem normas complementares e instrumentos de avaliação dos estágios de seus educandos”. E, assim sendo, a Poli-USP determinou que é recusado:

  • alunos com mais de “duas dependências” (ou seja, reprovações) em disciplinas do início do curso;
  • estudantes no semestre “inadequado” para a realização de estágios (estariam no quarto, por exemplo, mas só poderiam trabalhar no quinto);
  • exigência de um número de horas semanais na empresa acima do permitido.

Em um determinado momento, a USP chegou a dizer que, se o aluno “estivesse com problemas financeiros, deveria deixar a faculdade por um período, e, depois, retomá-la”, lembrando serem oferecidos auxílios estudantis suficientes para amparar os mais vulneráveis e que seria importante que o aluno tivesse tempo livre para se dedicar às disciplinas. Mas as pessoas entenderam que a instituição está tentando elitizar os seus cursos!

crianças
Imagem extraída de Blog da Estácio

Opinião dos estudantes

Os alunos alegam que estão tendo seu processo de formação muito prejudicado! Isto porque o tal auxílio – considerando moradia, alimentação e mais – não seria o suficiente, sendo os critérios de aprovação de estágios incompatíveis com a realidade. O que eles fazem? Durante este tempo, se matriculam em instituições particulares, EAD e de baixa mensalidade – muitas de médias ruins e ensino duvidoso – para assinarem que estas assinem seu contrato de estágio. Ou seja, o aluno perde, o mercado perde e a USP perde bons estudantes que gostariam de se manter na faculdade!

No caso dos estudantes em vulnerabilidade social, o indicado é se inscrever para receber os auxílios estudantis:

  • auxílio financeiro = 500 reais;
  • moradia = 400 reais;
  • livros = 150 reais; e
  • kit internet (60GB) = 100 reais.

Portanto, o auxílio moradia que a USP dá aos seus alunos é de R$ 400. Contudo, em São Paulo, é praticamente impossível encontrar um local de moradia neste valor. Pode-se tentar viver na residência estudantil da universidade e fazer trabalhos internos para ter um benefício de mais R$ 400. Mas, para ajudar a família, seria preciso um valor mais alto!

Opinião da USP

“O estágio é um ato educativo e não se caracteriza como emprego.”,

“Ele deve aprimorar o processo de aprendizagem, e, se há rigidez, é zelando pelos recursos públicos investidos e se preocupando que o aluno termine o curso em até sete anos e meio [prazo para não ser ‘jubilado’ da engenharia].”

– Antonio Seabra, presidente da comissão de graduação da Escola Politécnica (EPUSP), em reportagem de G1.

A USP, no entanto, não ficou indiferente ao caso. Ela instituiu uma subcomissão para formular propostas de novas regras de estágio. A ideia é que, ainda em 2021, haja normas complementares.

E você, pensa que bolsa de R$ 400 resolve tudo? Ou que a USP deveria fazer uma flexibilização das regras? Diga nos comentários!


Fontes: G1.

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