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Discussão polêmica: será que a tecnologia da urna eletrônica brasileira é mesmo confiável?

por Redação 360 | 16/08/2021

Toda eleição federal de um governo é importante. No Brasil, elas acontecem de quatro em quatro anos. Em dia marcado, o povo se dirige até um local de votação para escolher seus representantes através da votação eletrônica. Sim, nosso país foi um dos primeiros a arriscar uma votação por urna eletrônica. E considerar que possa haver qualquer fraude nesse processo é algo muito sério!

Recentemente, o governo tem travado uma discussão polêmica sobre as fragilidades dessa tecnologia utilizada no funcionamento dos aparelhos de votação. A Justiça Eleitoral reafirmou sua confiança no equipamento. De acordo com o órgão, há “camadas” de segurança que impedem a invasão por terceiros e o acesso às informações constantes no aparelho. Ou seja, se houvesse uma tentativa de ataque, o próprio sistema reagiria acionando uma “trava” no programa, impedindo a sua execução por alguém de fora. Mas será mesmo verdade?

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Existem pessoas pondo em dúvida a urna eleitoral brasileira. Eles questionam como nós, do chamado terceiro mundo, poderíamos usar essa tecnologia com tanta confiança, enquanto países tecnologicamente mais avançados, como os EUA e Canadá, ainda usavam papel.

Bem, essa é uma pergunta bem interessante, não podemos negar. Contudo, nós, do Engenharia 360, NÃO temos intenção de discutir política e, sim, trazer informações sobre como as coisas funcionam. Então, propomos conhecer, juntos, alguns segredos por trás do uso da urna eletrônica brasileira!

eleições brasileiras
Imagem extraída de VEJA

Como surgiu a urna eletrônica brasileira?

A urna eleitoral brasileira como conhecemos hoje surgiu de maneira bem diferente. Nos anos 70, o juiz Carlos Prudêncio questionava o porquê da demora na divulgação dos resultados dos pleitos eleitorais. Depois de 10 anos, colocou em prática a sua ideia de usar as novas tecnologias em favor do processo eleitoral; e deu certo! O modelo de Prudêncio foi aprimorado durante várias etapas, e foram muitas tentativas de utilizá-lo.

“Eu não entendia por que demorar tanto para dar os resultados das eleições e resolvi inovar, mesmo contra os interesses de grupos políticos regionais. (…) Varávamos a noite fazendo a contagem e muitas vezes de manhã os eleitores já sabiam os resultados. Nesta época, não havia computadores e tudo era feito manualmente.” – disse Prudêncio.

O voto eletrônico foi utilizado oficialmente pela primeira vez nas eleições de 1996. Naquele ano, apenas parte das eleições foi realizada eletronicamente, por falta de tempo em fabricar urnas o suficiente e também por ser uma fase de testes. E apenas nas eleições do ano 2000 é que o país foi cem por cento coberto com urnas eletrônicas.

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Quais vantagens a urna eletrônica de votação oferece?

Obviamente, a urna eletrônica brasileira oferece uma grande agilidade na apuração dos votos. Hoje, por exemplo, já conseguimos ter os resultados de uma eleição no mesmo dia da votação – é realmente surpreendente. Teoricamente, a urna eletrônica computa os votos de maneira segura e sigilosa, impedindo a identificação do eleitor e executando o processo com o melhor custo-benefício. Nesse processo, não haveria a intervenção humana na contagem dos votos; e nada de ligação com dispositivos de rede, como Internet – as coisas seriam assim para impedir fraudes e ataques de hackers.

Imagem extraída de Jornal NH

Por que tantos especialistas confiam no sistema eleitoral brasileiro?

Em 2009, o Tribunal Superior Eleitoral lançou um desafio: convidou hackers a invadirem a urna eletrônica brasileira usando apenas seus conhecimentos técnicos e impondo várias restrições. Na ocasião, o teste deu super certo! Mesmo assim, os especialistas contratados pelo governo sentiram ser preciso aperfeiçoar o sistema, acreditando que, se alguém usasse engenharia social ou programas específicos, poderia corromper o sistema.

Plano A | Votação Paralela

A votação paralela acontece no mesmo dia das eleições. Na véspera são selecionadas algumas urnas em todos os estados entre aquelas já enviadas para as seções eleitorais. Essas urnas são levadas para um local pré-selecionado. Depois, é feita uma simulação filmada de votação – com votos não contabilizados – para avaliar a segurança da urna contra eventuais fraudes.

O eleitor deposita seu voto de duas formas: digitando na urna eletrônica e anotando em uma cédula de papel. Depois, seus dois votos são comparados por auditores independentes contratados pelos TSE, um momento que pode ser acompanhado por representantes de partidos, instituições ou qualquer cidadão interessado.

eleições brasileiras
Imagem extraída de Exame

Plano B | Reservas

A urna eleitoral também conta com lacres e mecanismos de segurança que evidenciam se houve violação ou não, além das ditas hashes dos sistemas citados serem conferidas antes da contagem dos votos. E se algo der errado durante a instalação e autorização dos sistemas nas urnas, existem aparelhos de reserva que são enviados para as seções com urnas defeituosas.

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eleições brasileiras
Imagem extraída de
Revista Jurídica Verba Legis

Plano C | Backups

Em último caso, se as urnas eletrônicas reservas estragarem também, existe o processo chamado de “backup do backup”, que é recorrer ao uso de cédulas de papel.

Como funciona a tecnologia da urna eletrônica?

Os equipamentos utilizados pelo governo brasileiro são fabricados por uma empresa contratada por licitação pelo Tribunal e inspecionados por técnicos da própria instituição. Seu terminal de votação conta com um processador X86, 256 MB de memória RAM, um visor de LCD e interfaces USB, Serial, SmartCard, PS/2 e CompactFlash. Já o terminal de atendimento tem um leitor biométrico e um teclado, através do qual o mesário ativa o modo de votação.

Dentro das urnas é “rodado” um programa desenvolvido pelo TSE. Sua base é uma versão do sistema Linux, criada por uma empresa autorizada pelo Tribunal. O código temporário para o seu acesso é liberado para membros dos partidos políticos, da OAB e do Ministério Público apenas 180 dias antes das eleições para testes. E só 20 dias antes das eleições é que o código final é apresentado novamente, junto com os manuais, documentação e executáveis.

Antes das eleições, os dados da zona e da sessão eleitoral em que cada urna ficará é carregado dentro das máquinas; gravados com criptografia em um cartão CompactFlash e extraídos no final do processo para um pendrive USB. Dentro do pendrive ficam gravados um boletim da urna, o registro digital do voto e dados de quem não foi votar. Quando a votação começa, os fiscais revisam se as máquinas estão zeradas para começar a contagem. E depois das 17hs, cada seção emite um Boletim de Urna com um QR Code, que pode ser lido por aplicativo, servindo de contraprova para que o resultado seja comparado com o resultado da apuração oficial.

eleições brasileiras
Imagem extraída de Tua Rádio
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Imagem extraída de Jovem Pan

O TSE garante que está constantemente trabalhando para aprimorar o sistema eleitoral brasileiro, para ele ser sempre seguro. Por certo, todos nós queremos confiar nisso. Críticas construtivas devem ser sempre ouvidas. E um debate saudável, aberto à população, certamente é o melhor caminho para o nosso país não importa as lideranças!

Veja Também: Saiba a “quantas anda” a MP 1.040, que derrubava o piso salarial de engenheiros e outros profissionais


Fontes: Tecnolog, Politize, Agência Brasil.

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