O Engenharia 360 está em Houston, Texas, realizando uma cobertura exclusiva do 3DEXPERIENCE World 2026, e o que vimos durante as sessões do evento não é apenas uma evolução incremental; é um salto quântico na forma como projetamos, testamos e fabricamos produtos.
O tema central que dominou algumas das discussões é a integração profunda da Inteligência Artificial (IA) nas soluções de design e simulação, prometendo acabar com o ciclo exaustivo de “tentativa e erro” que consome orçamentos e prazos em todo o mundo. Continue lendo para saber mais!

A evolução do design em 40 Anos de dados alimentando a IA
Um dos pontos mais impactantes do primeiro dia do 3DXW26 foi a discussão sobre a confiança na IA.
Para muitos engenheiros, confiar em um algoritmo para validar a integridade estrutural de um avião ou de um dispositivo médico é um desafio. No entanto, a base dessa nova tecnologia não surgiu do nada. A marca Simulia celebrou recentemente seu 20º aniversário, mas o legado de seus solvers, como o Abaqus, CST e PowerFLOW, remonta a mais de 40 anos de história.
Essa vasta bagagem de dados e previsões do mundo real é o que sustenta a credibilidade das soluções apresentadas.


Como destacado durante o evento, a IA não está apenas “adivinhando” resultados; ela está sendo treinada em solvers que o mercado já utiliza e confia há décadas para prever como os produtos se comportam na realidade. Atualmente, mais de 1.600 especialistas, sendo metade deles dedicados exclusivamente à Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), trabalham globalmente para garantir que essa transição para a IA seja robusta e industrializada.
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A quebra o muro entre design e simulação por MODSIM
Tradicionalmente, a engenharia funciona em silos: um designer cria o modelo e o envia para um analista de simulação. Esse processo pode levar semanas para retornar um “passou” ou “falhou”, gerando ciclos que podem se repetir cinco ou seis vezes. Em um mercado onde a pressão para lançar produtos em menos de 18 meses é a norma, esse modelo é insustentável.
A solução apresentada em Houston é o MODSIM (Modeling and Simulation). Ao aproximar o design da simulação, as empresas estão conseguindo reduzir o tempo de desenvolvimento de forma drástica. Um exemplo real citado foi de uma fabricante de bicicletas que utilizou a plataforma 3DEXPERIENCE para reduzir em 50% o número de protótipos físicos e acelerar o lançamento de produtos em 25%.
O objetivo agora é elevar essa eficiência a um novo patamar através do uso de modelos substitutos (surrogate models) ou “Gêmeos Virtuais do Comportamento Físico”.




Os novos companheiros virtuais Aura e Leo
O grande destaque “provocativo” da palestra foi a introdução dos Companheiros Virtuais, ou IA Agêntica, Aura e Leo. Eles não são meros chatbots, mas especialistas virtuais que aprendem com o conhecimento da empresa e dos softwares.

Aura
Descrita como a companheira que ajuda a liberar o conhecimento da empresa, a Aura auxilia na redação de relatórios técnicos, resumos de documentação e até no brainstorming de ideias para melhorar produtos, como veículos elétricos. Curiosamente, foi mencionado que a própria IA escolheu seu nome.
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Leo
Este é o “engenheiro virtual” do time. O Leo foi demonstrado realizando a configuração completa de uma simulação de teste de queda (drop test) para um dispositivo médico. Ele não apenas ensina o usuário a fazer, mas executa as etapas complexas de malha (meshing), definição de materiais e condições de contorno através de linguagem natural.
Imagine perguntar ao software: “Como configuro um teste de queda?” e a IA não apenas explicar, mas montar o cenário, perguntar o tipo de piso (aço ou carpete) e identificar os principais indicadores de desempenho (KPIs) em tempo real. Isso permite que mesmo profissionais que não são especialistas em simulação possam extrair valor dessas ferramentas, democratizando o conhecimento técnico.
Simulação além do óbvio
A versatilidade das aplicações apresentadas em Houston deixou a audiência impressionada. A simulação hoje abrange cinco domínios principais:
Estruturas, Fluidos, Eletromagnetismo, Movimento e Viro-acústica.
- Sustentabilidade e custos: Uma empresa de garrafas plásticas, por exemplo, eliminou milhares de testes físicos de “esmagamento” usando simulação, reduzindo desperdício de material e custos.
- Conforto animal: Em um caso inusitado, a fluidodinâmica está sendo usada para projetar sheds (estábulos) de vacas mais frescos, já que vacas resfriadas produzem mais leite.
- Projeto Living Heart: A simulação avançou para o corpo humano, permitindo simular não apenas a estrutura do coração, mas também seu sistema elétrico e o fluxo sanguíneo, criando um modelo que cardiologistas já consideram genuinamente funcional para uso prático.
Explore as inovações ou fique para trás!
A mensagem final desta palestra do 3DEXPERIENCE World 2026 é clara: a IA e o MODSIM são o próximo passo inevitável. Os clientes ao redor do mundo estão clamando por uma redução de 10 vezes no número de protótipos físicos para evitar desperdícios ambientais e custos proibitivos.

A implementação dessas tecnologias ocorre de forma escalonada: primeiro adota-se o MODSIM para conectar as equipes, e sobre essa base constrói-se a IA para explorar milhares de variações de design em minutos, algo impossível para o esforço humano isolado. Como dito no encerramento, esta é a realização de uma promessa feita há décadas: a capacidade de cruzar conhecimentos de diversas indústrias para inovar na velocidade da luz.
Se você ainda projeta da maneira tradicional, será ultrapassado pela concorrência.
O futuro da engenharia não é mais sobre quem tem a melhor ferramenta de desenho, mas sobre quem melhor utiliza a inteligência coletiva e artificial para simular o impossível.

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Redação 360
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