O neozelandês Chris Boniface pesquisa sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) na medicina. Segundo ele, as leis de seu país atualmente não estão aparelhadas para lidar com essa nova realidade.
“No momento a IA na área da saúde é limitada a algumas funções como realizar diagnósticos e informar sobre interações com drogas. Não é tão comum ou difundido como na Ásia e na Europa, mas é algo que definitivamente está chegando (…)”, conta o doutorando (Ph.D.) em Direito da Universidade de Canterbury (NZL).
Em artigo de sua autoria, publicado este ano no New Zealand Law Journal, Chris argumenta que é indispensável considerar quem irá responder judicialmente em casos de erros médicos atribuídos à Inteligência Artificial. O artigo apresenta a problemática já no título: "Medical negligence in the age of artificial intelligence" (Negligência médica na era da inteligência artificial, em tradução literal).
Para ilustrar a negligência na era da inteligência, ele traz um caso de 2015 em Newcastle, Inglaterra, onde um paciente faleceu numa cirurgia de baixo risco. Um médico-legista descobriu, mais tarde, que a morte foi parcialmente causada pelo uso do Da Vinci, robô fabricado pela companhia Intuitive Surgical.
“Acho que existem algumas questões prementes sobre a responsabilidade e a culpabilidade quando as coisas dão errado”, pondera o pesquisador.
“O robô em si não poderá ser culpado, ele não paga contas, nunca vai perder o emprego (…). Assim surge o problema: quem responsabilizar? Afinal não há uma pessoa diretamente envolvida”.
Ele também ressalta os objetivos de sua pesquisa: engendrar possíveis soluções para que, “no momento em que a IA chegar, se tenha pelo menos conversado sobre isso, pois o sistema de saúde na Nova Zelândia é bem diferente dos estrangeiros.”
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Aceitação dos médicos-robôs pela população
No momento, Boniface trabalha no apuramento de entrevistas que realizou com 200 pessoas (em maioria pós-graduandos), a fim de descobrir suas opiniões sobre a atuação de médicos-robôs, assim como IA de modo geral.
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Os resultados preliminares indicam que os jovens se sentem mais confortáveis com a ideia de médicos-robôs, enquanto os mais velhos têm mais ressalvas, preferindo lidar com pessoas do que com uma máquina. De acordo com o neozelandês, as respostas também revelam o desconhecimento geral sobre o assunto.
“A Inteligência Artificial funciona retendo dados continuamente. Provavelmente as pessoas não se sentirão confortáveis com suas informações médicas sendo usadas e compartilhadas dessa maneira, mas elas talvez nem entendam que isso está implícito na ideia de IA”, diz ele.
Pensando em termos práticos, Boniface propõe a movimentação da classe jurídica de seu país. “Acho que seria preciso um inquérito sobre a IA no geral, para tratar questões como consentimento, privacidade e negligência médica.”, afirma.
Fontes: RNZ; TechXplore
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Clara Ribeiro
Jornalista especializada em Arquitetura e Engenharia, especialista em redação SEO, edição e revisão de textos, Marketing de Conteúdo e Ghost Writer, além de Redação Publicitária e Institucional; ávida consumidora de informação, amante das letras, das artes e da ciência.