A engenharia mundial está diante de um abismo — ou de um portal? Em uma conversa franca e profunda com Eduardo Mikail, do Engenharia 360, Manish Kumar trouxe insights que prometem abalar as estruturas de quem ainda acredita que a função do engenheiro é apenas operar softwares complexos. O cenário descrito é claro: a era do “clique relativo” e do trabalho braçal no CAD está chegando ao fim, dando lugar a uma era onde o engenheiro deixa de ser um executor para se tornar um criador de objetivos. Continue lendo para saber mais!

A grande mudança: De operador a visionário
Para entender o que Kumar propõe, precisamos olhar para o que já aconteceu em outros setores. Ele traça um paralelo direto com a indústria de software. Antigamente, desenvolvedores passavam horas escrevendo linhas de código manualmente, testando e validando cada detalhe. Hoje, eles utilizam modelos de inteligência artificial e agentes que geram, testam e validam o código quase instantaneamente.
Essa mesma transformação está batendo à porta do mundo mecânico. Kumar destaca que, no passado, engenheiros passavam a maior parte do tempo criando formas “um a um”, focando excessivamente no lado técnico em vez do valor de negócio. Agora, a IA deve eliminar esse trabalho manual, permitindo que o profissional foque no que realmente importa: onde está o valor?.
No novo paradigma, o valor não está em saber desenhar uma peça, mas na ideia original e na capacidade de transformá-la em um objeto fabricável que gere retorno financeiro.
“IA não é um trabalhador, é um companheiro”
Um dos pontos mais provocativos da entrevista foi a distinção entre um “trabalhador virtual” e um “companheiro virtual”. Kumar é categórico ao afirmar que a SOLIDWORKS não busca substituir o humano, mas sim oferecer um amigo intelectual que senta ao seu lado para ajudar. O controle permanece inteiramente nas mãos do ser humano; é ele quem decide o que é certo ou errado.
A inteligência artificial, por mais avançada que seja, é treinada em décadas de dados históricos. Isso significa que ela é excelente em extrapolar e sugerir variações do que já existe, mas ela não encontrará uma solução nova e nunca antes pensada por conta própria.
A inovação disruptiva, o “brilho” da ideia original, continua sendo uma exclusividade humana. A IA pode fazer um brainstorming com você, mas a faísca criativa é sua.
Aura e Leo: O ecossistema da inovação sem limites
Para que essa colaboração ocorra de forma eficiente, Kumar detalhou a existência de diferentes “companheiros virtuais” com funções distintas, destacando-se a Aura e o Leo,.
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- Aura: Este companheiro é projetado para a fase de ideação. Ela não está presa à realidade ou ao que pode ser fabricado hoje; sua função é “brincar” com o engenheiro, sugerindo até mesmo ideias loucas e fora da caixa. É um ambiente sem restrições que impede o profissional de ficar preso em projetos passados.
- Leo: Uma vez que a ideia inovadora nasce na Aura, o Leo entra em cena. Ele é “pé no chão” e focado no que é tecnicamente possível, engenhado ou fabricado.
Essa combinação permite que o engenheiro explore uma liberdade científica total antes de se preocupar com custos ou viabilidade técnica, garantindo que a solução final seja não apenas funcional, mas genuinamente inovadora.

O perigo do medo e a lição de Jensen Huang
Muitos profissionais ainda olham para a automação com desconfiança e temor. No entanto, o conselho de Manish Kumar para os engenheiros é direto: abrace a Inteligência Artificial.
Ele alerta que o medo leva as pessoas a se protegerem dentro de “caixas”, e é justamente esse isolamento que causará danos à carreira, permitindo que outros passem à frente.
Citando Jensen Huang, CEO da NVIDIA, Kumar reforçou uma máxima que deve se tornar o mantra da nova geração: “A Inteligência Artificial nunca vai roubar seu trabalho. A pessoa usando a Inteligência Artificial vai”.
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O objetivo não é lutar contra a ferramenta, mas aprender como ela pode amplificar sua capacidade de resolver problemas globais urgentes, como questões climáticas e de saúde,.
O novo perfil profissional deve saber “O Que Pedir”
A mudança redefine completamente o perfil que as empresas buscam. Se antes o foco era “como desenhar”, agora a competência essencial é “saber o que pedir”. A instrução dada ao sistema — o chamado prompt ou instrução principal — torna-se o coração da engenharia.
Kumar utiliza o exemplo de um veículo autônomo: se você instruir o carro a simplesmente “ir em frente” ao pressionar o pedal, ele o fará, mesmo que haja uma parede ou uma pessoa no caminho. Portanto, a refinaria da entrada (input) feita pelo ser humano é o que determina a qualidade e a segurança da saída (output) da IA.
O engenheiro do futuro é um mestre da comunicação com a máquina, um curador de ideias que utiliza a tecnologia para acelerar a criação de “espécies virtuais” e experimentá-las exaustivamente antes mesmo de chegarem à produção física,.
A engenharia como parceria intelectual
Ao final da nossa entrevista, concluímos que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta para se tornar um parceiro intelectual.
A engenharia continua sendo a disciplina da transformação humana, mas agora ela é potencializada por um ecossistema que elimina o tédio do clique repetitivo para libertar o talento humano,.

O recado de Manish Kumar é um chamado à ação: não tema a automação, use-a para expandir seus horizontes.
O valor está na sua capacidade de pensar, de idealizar e de liderar a máquina rumo a soluções que o mundo ainda não viu. A engenharia não morreu; ela apenas finalmente se libertou das pranchetas e dos mouses para viver na mente dos criadores.
Veja Também: Aura, Leo e Marie: Entenda Como a IA deve Mudar o Papel do Engenheiro

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Redação 360
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