Entre o frenesi de inovações e a presença de milhares de mentes brilhantes do design e da manufatura, Eduardo Mikail, representando a equipe do Engenharia 360, esteve em Houston, no Texas, para acompanhar o o 3DEXPERIENCE World 2026 e ouvir as sábias palavras de Jensen Huang, o icônico fundador e CEO da NVIDIA.

Huang, que frequentemente reforça sua identidade como engenheiro, subiu ao palco do evento não apenas como um fornecedor de tecnologia, mas como um visionário que enxerga a engenharia como o pilar da próxima grande mudança de plataforma computacional. Em sua conversa, Huang detalhou como a parceria estratégica com a Dassault Systèmes está criando uma arquitetura de IA industrial compartilhada, unindo Gêmeos Virtuais à computação acelerada para dar vida aos “Modelos de Mundo” (World Models).

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Jensen Huang NVIDIA 3DEXPERIENCE WORLD 2026
Imagem de @engenharia360 em 3DEXPERIENCE World 2026

A IA como Infraestrutura da civilização

Um dos pontos mais marcantes da fala de Jensen Huang foi a desmistificação da Inteligência Artificial como uma ferramenta meramente opcional. Para ele, estamos diante da maior construção de infraestrutura da história humana. Huang explicou:

“A inteligência artificial, a digitalização da inteligência, é uma infraestrutura para a sociedade. É uma infraestrutura no sentido de que toda sociedade precisa dela. Todos precisam, toda indústria precisa, toda empresa precisa de inteligência. (…) Não há países, sociedades ou empresas que possam ser deixados para trás. A IA é uma infraestrutura assim como a água e a eletricidade.”

Essa visão coloca a engenharia no centro de uma nova “eletricidade”. Huang argumenta que, assim como não concebemos uma fábrica sem energia elétrica, em breve não conceberemos um projeto de engenharia sem uma “Fábrica de IA” operando nos bastidores para gerar inteligência e otimização em tempo real.

A próxima fronteira: IA Física e o mercado de 90 trilhões

Enquanto o mundo se encantou com os modelos de linguagem (LLMs) que geram textos e imagens, Huang deixou claro que o verdadeiro impacto para a engenharia está na IA Física. Diferente dos LLMs tradicionais, esses modelos são fundamentados nas leis da física, biologia e ciência dos materiais.

Ao ser questionado sobre o retorno sobre investimento (ROI) dessa tecnologia, Huang foi categórico sobre a magnitude dessa oportunidade:

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“A IA para informações cognitivas é muito grande. O conhecimento é uma indústria vasta. No entanto, 90 trilhões de dólares do mundo estão onde a informação encontra o mundo físico. Transporte, por exemplo, veículos autônomos… você está movendo átomos; produção de energia, você está movendo átomos; criando medicamentos, átomos, moléculas… a vasta maioria das indústrias mundiais está onde os elétrons encontram os átomos.”

Essa integração entre o digital (elétrons) e o material (átomos) é onde os Gêmeos Virtuais da Dassault Systèmes e a computação da NVIDIA se fundem. O objetivo é que 100% do desenvolvimento ocorra no mundo digital, simulando e validando cada detalhe antes que qualquer metal seja cortado ou qualquer recurso físico seja consumido.

O engenheiro e seus companheiros virtuais: “Aura e Leo”

Uma preocupação recorrente nas discussões sobre tecnologia é o futuro do emprego. Huang explorou esse tema, trazendo uma perspectiva surpreendente: a IA não vai reduzir o número de engenheiros, mas sim expandir a capacidade de criação de forma exponencial.

Huang mencionou os “Companheiros Virtuais” (Virtual Companions) apresentados pela SOLIDWORKS, como Aura e Leo, que auxiliam designers e engenheiros a interpretar normas técnicas complexas e automatizar tarefas tediosas. Huang explicou essa dinâmica de trabalho futuro:

“Cada engenheiro terá companheiros e sistemas… esses companheiros agentes que ajudam os designers. (…) O número de agentes, engenheiros de IA e designers de IA vai crescer exponencialmente. O uso de ferramentas vai crescer exponencialmente. (…) Para cada engenheiro que usa as ferramentas da Dassault Systèmes, provavelmente haverá cem agentes de IA que também usarão essas ferramentas.”

Nesse cenário, o engenheiro deixa de ser um mero operador de software para se tornar o “Guardião da Realidade”, o mestre que define intenções e supervisiona exércitos de agentes digitais que executam a parte técnica e normativa com precisão absoluta.

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A democratização da robótica para pequenas empresas

Muitas vezes, a automação avançada parece restrita a gigantes como as montadoras de automóveis. No entanto, Huang explicou que a transição da programação explícita para a programação implícita mudará o jogo para as pequenas e médias empresas. Atualmente, robôs precisam de engenheiros de software caros para serem programados para cada tarefa específica. Com a IA, os robôs se tornam “inteligentes” e aprendem por demonstração.

“Você diz ao robô: ‘Isto é o que eu preciso que você faça, e eu vou te mostrar algumas vezes’. E o robô descobre como fazer. (…) O robô tem que passar de uma máquina mecânica para um robô movido por IA, alimentado por IA, que seja super, super inteligente e flexível. Eles podem aprender através da sua demonstração, assistindo a um vídeo, assim como os humanos.”

Segundo Huang, isso permitirá que indústrias menores, que compõem a maior parte da cadeia de suprimentos global, sejam finalmente “elevadas” pela automação, em vez de ficarem para trás.

Sustentabilidade e o “Flywheel” econômico

O impacto energético da IA também foi pauta. Jensen Huang defendeu que a IA será a força de mercado que finalmente modernizará as redes elétricas e impulsionará energias sustentáveis, como a nuclear e a solar.

“Pela primeira vez, temos uma força de mercado substancial e gigantesca que vai aprimorar a capacidade de energia sustentável em todo o mundo. (…) O custo da energia vai cair por causa disso. Por quê? Porque a força do mercado está nos fazendo investir no suprimento de energia. Quando o suprimento de energia sobe e modernizamos a rede, o custo cairá.”

Considerações fianis sobre o desafio de uma Nova Era

Parece que a engenharia está entrando em sua fase mais ambiciosa. A visão de Jensen Huang é a de um mundo onde a criatividade humana é o único limite, pois a execução técnica, a simulação física e a conformidade normativa serão potencializadas por uma infraestrutura de IA onipresente.

Para os leitores do Engenharia 360, o recado de Huang em Houston é claro: o futuro pertence àqueles que souberem liderar seus “companheiros virtuais” e transformar intenções em realidade digital antes de tocar nos átomos do mundo físico. O Engenharia 360 segue na linha de frente, trazendo cada detalhe desta revolução iniciada no 3DEXPERIENCE World 2026.

Veja Também: Parceria entre NVIDIA e Dassault Systèmes e a IA do SOLIDWORKS pode revolucionar a Engenharia


opção 1 - legenda 3dexperience world 2026

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