No dia 3 de setembro de 2025, o mundo acompanhou o desfile militar realizado em Pequim, que marcou o 80º aniversário da vitória sobre o Japão. Pela primeira vez na história, o país asiático revelou ao mundo os avanços tecnológicos de sua engenharia de guerra — e, como bem sabemos, isso é só a ponta do iceberg. Análises recentes de imagens de satélite revelam que, entre 2019 e 2025, mais de 60% das instalações ligadas à produção de mísseis da China apresentaram sinais significativos de crescimento.
Essa demonstração de poder reflete uma mudança na ordem mundial, onde a China se posiciona como uma superpotência em uma nova corrida armamentista. Imagine como essa nova geopolítica, impulsionada por um aumento de 7,2% no orçamento de defesa chinês (alcançando US$ 245 bilhões), pode impactar nossa forma de pensar inovação e engenharia.
O recente evento reuniu líderes estrangeiros para uma exibição de mísseis hipersônicos e tecnologias de ponta. Desde 2020, os complexos industriais militares chineses expandiram-se em mais de 2 milhões de metros quadrados de área construída. Este artigo do Engenharia 360 reflete sobre as implicações dessa expansão para o futuro da engenharia. Acompanhe!
Por que você deve se importar com esses avanços militares?
A maioria de nós cresceu ouvindo histórias aterrorizantes sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Também testemunhou a tensão da Guerra Fria. Agora nos perguntamos se, diante de todas as crises que vivemos, não estamos presenciando o início de outro grande conflito global. Aliás, alguns acreditam que a batalha já começou. E mesmo que você nunca tenha se interessado sobre estratégias de defesa, deve imaginar quanto o desenvolvimento de tecnologia militar impacta avanços civis.
Muitas das inovações que temos hoje em nosso dia a dia foram primeiro idealizadas para outras finalidades. O GPS, inclusive, nasceu assim. Tecnologias desenvolvidas com foco na guerra, como sensores, sistemas de comunicações seguras e materiais avançados, acabaram migrando para áreas como aeroespacial, automobilística, energia e infraestrutura. E, infelizmente, devemos admitir que o que vimos no dia três do último mês foi uma vitrine de tendências de engenharia.
Por ora, já sabemos que quem dominar IA, materiais raros, robótica e energia deve moldar não só o campo de batalha, mas também a sociedade do amanhã. E aí, quem vai ser?
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Do “copiar e colar” à inovação de ponta
Por muitos anos, designers ao redor do mundo acusaram a China de copiar tecnologias de outros países. Tanto que, dias antes do desfile, os próprios Estados Unidos se mostraram confiantes em afirmar que ninguém mais poderia ultrapassar sua capacidade militar. Contudo, o desfile deste ano mostrou um cenário diferente. Foi uma demonstração de que a inovação não acontece apenas lá, no Vale do Silício ou em laboratórios americanos.
Parece que a China está desenvolvendo as suas próprias soluções — e elas são surpreendentes. Isso não nos surpreende tanto; afinal, há anos publicamos em nosso site e redes sociais notícias sobre as maiores obras de engenharia do mundo localizadas no país asiático.



Foram os principais destaques do desfile em Pequim:
- Setor aeroespacial: mísseis hipersônicos, aviões de quinta geração e foguetes de combustível sólido.
- Setor de computação: IA aplicada a drones, visando sobrecarregar sistemas de defesa aérea.
- Arsenal estrategico: fortalecimento da Força de Foguetes (PLARF), que supervisiona o arsenal nuclear e balístico.
- Setor de energia elétrica e ótica: sistemas de armas a laser.
- Setor naval: veículos subaquáticos não tripulados, conhecidos como XLUUVs.
Principais tecnologias apresentadas pela China no desfile
Mísseis hipersônicos
Começando pelos mísseis chineses hipersônicos, como o YJ-20, com capacidade de realizar manobras imprevisíveis, difíceis de interceptar, e atingir velocidades cinco vezes maiores que a do som. Especialmente os modelos YJ-17 e YJ-19 deixaram a categoria experimental para se tornarem armas de alta confiabilidade no arsenal do país.
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Também vale destacar os mísseis balísticos da família Dongfeng, como o 5C, capazes de atingir bases americanas a milhares de quilômetros de distância com múltiplas ogivas. Detalhe: esse tipo de tecnologia envolve engenharia de precisão em propulsão, estruturas resistentes a altas temperaturas e sistemas avançados de guiamento. É provável que tais avanços cheguem a áreas civis, como aviação comercial supersônica ou transporte espacial.


Drones com IA
Uma das tecnologias mais fascinantes vistas no desfile em Pequim foram os drones. Por exemplo, o GJ-11, que consegue voar de lado a lado com caças tripulados; o AJX-002, veículos subaquáticos não tripulados destinados à defesa naval; e os surreais lobos-robôs, projetados para reconhecimento, varredura de minas e operações em campo aberto. Essas soluções são uma demonstração de engenharia mecânica, eletrônica e de inteligência convergindo para máquinas com autonomia e versatilidade antes inimaginadas.
Para quem estuda engenharia, esses drones parecem muito interessantes, unindo controle automação e Inteligência Artificial. Tais máquinas se valem de algoritmos complexos para tomada de decisão quase em tempo real, reconhecimento de alvos, evasão de ameaças e adaptação rápida ao ambiente de combate.


Armas a laser
Também vale destacar neste texto os sistemas de defesa a laser apresentados pela China, como o LY-1, que pode cegar sensores, queimar eletrônicos e até derrubar drones. Esse tipo de sistema é praticamente um laboratório de física aplicada, com laser de alta potência e precisão, mecanismos de resfriamento e de energia limpa e contínua. A promessa é que tais armas possam queimar ou desativar componentes eletrônicos à distância.
Nada impede que, no futuro, tecnologias derivadas surjam e sejam aplicadas em indústrias médicas, construção civil ou telecomunicações.
O que o futuro da engenharia militar nos reserva?
O futuro da engenharia militar se mostra multidisciplinar e tecnologicamente sofisticado. Mas será que isso é bom ou ruim? Certamente não desejamos ver o uso dessas armas em situações reais de combate.

Em vez disso, esperamos que as boas ideias de engenharia possam ser desenvolvidas, aprimoradas e produzidas em larga escala para ajudar as populações do mundo e o meio ambiente. Nesse cenário, ainda haveria muito trabalho para os engenheiros, precisando superar desafios para a manufatura avançada, integração de sistemas e engenharia de software.
Esse desfile realizado na China só nos lembrou de como a engenharia é uma peça fundamental para a geopolítica do século XXI. A próxima geração de profissionais deve não só acompanhar, mas também criar essas inovações. E você, quer ser apenas um espectador dessa corrida tecnológica ou fazer parte dela?
Confira o vídeo completo do desfile transmitido pela China Global Television Network:
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- Engenheiro Militar: Desvende os Segredos da Profissão
- Projeto Secreto dos EUA: O Domo de Ouro e Elon Musk
Fontes: UOL, Click Petróleo e Gás, BBC, CNN Brasil, CNN Brasil.
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Simone Tagliani
Graduada nos cursos de Arquitetura & Urbanismo e Letras Português; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital, Marketing Digital, Gestão de Projetos, Transformação Digital e Negócios; e proprietária da empresa Visual Ideias.
