Louis-Jacques Fillion, professor da Escola de Negócios de Montreal, definiu certa vez que o empreendedor como “uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”. Essa é a designação para pessoas que decidem criar algo diferente e gerador de valor, dedicando tempo, esforço, paciência e dinheiro em prol de benefícios múltiplos se popularizou dentro da Administração de Empresas, a tomada de decisão sobre recursos disponíveis, trabalhando com pessoas e através delas para atingir objetivos.

Entretanto, se pararmos para pensar, essa definição talvez tenha sido a mais difundida por ser muito abrangente, mais até do que a própria Administração. Afinal, o empreendedorismo cabe em qualquer lugar e circunstância. Ele não precisa visar necessariamente ao lucro – e os chamados negócios sociais, que a mídia tem destacado atualmente, provam isso. Ele nasce dentro de um processo criativo – uma torrente de impulsos elétricos do cérebro transformadas em ideias – e externaliza-se, na prática, colocando essas ideias à prova da realidade.

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empreendedorismo universitários e a engenharia brasileira
Louis Jacques Filion – Imagem de RAHMACHOUCHANE em Wikipédia

Criatividade como a centelha que move o empreendedorismo

A criatividade é uma atividade livre que se manifesta de duas formas principais: o inventar e o aprimorar. E ela não é nada sem imaginação. Einstein já dizia: “Imaginação é mais importante do que raciocínio.”, “Com o raciocínio você vai de A para B, mas com imaginação, você vai a qualquer rincão do universo”.

O sentido de criatividade fortemente associado ao empreendedorismo remete à genialidade, como nas grandes invenções de cientistas notáveis, que revolucionaram a forma de enxergar o mundo. Ou engenheiros, que passaram a otimizar o trabalho humano nos mais variados ramos a partir da Revolução Industrial. A própria administração adquiriu corpo teórico a partir do trabalho de um engenheiro mecânico: Frederick Winslow Taylor, considerado o pai da Administração Científica.

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Frederick Winslow Taylor – Imagem de Gessford em Wikipédia

O empreendedorismo universitário em diferentes escalas

O empreendedorismo existe em várias escalas, e não está subscrito a realizações grandiosas. Ele está implícito em pequenas ações conscientes que, bem orientadas, podem provocar grandes repercussões.

No campo dos negócios, por exemplo, é comum as pessoas evitarem a prática empreendedora por acreditarem ser uma coisa difícil demais. Isso ocorre porque geralmente elas foram educadas a moderar seus sonhos. Ou então sonham alto sem a disposição necessária para viabilizar esses sonhos.

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Por muito tempo os brasileiros preferiram a segurança do profissionalismo liberal ou do funcionalismo público em detrimento da criação de um negócio próprio. Isso ainda é muito verificável nos dias de hoje, muito embora a situação tenha começado a ficar um pouco diferente graças a iniciativas como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e outras instituições que surgiram para fomentar o empreendedorismo, fornecendo informações para ajudar as pessoas nessa tarefa que supunham difícil demais para elas.

O FGTS e a virada de mentalidade no Brasil

Passou a ser comum ver o engenheiro aposentado que resolveu, com o dinheiro do FGTS, abrir um restaurante. Ou mesmo o executivo frustrado que largou o emprego para ter sua própria franquia. A principal vantagem disso é que as pessoas deixaram de ser acomodas com respeito à satisfação de suas necessidades e desejos, passando a acreditar que a mudança de planos, tão frequente na condução de uma empresa, não é tão assustadora quanto parecia, e porventura mais estimulante do que os empregos tradicionais.

Essa fase de quebra de paradigmas ocorreu, entre muitas outras coisas, mais cedo nos Estados Unidos. Lá o empreendedorismo universitário, que hoje tem chamado muita atenção, já havia começado, ligeiramente, mas com grandes expoentes, na década de 80. E um dos locais-chave dessa  transformação foi o Vale do Silício, na Califórnia. O filme “Piratas do Vale do Silício” conta a história do início da era dos computadores pessoais, protagonizada por Bill Gates, Steve Wozniak e Steve Jobs, entre outros.

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Steve Wozniak e Steve Jobs- 1976 – Imagem reproduzida de arquivos UFRGS

Há muitos livros sobre isso, mas um livro recente que gostaria de destacar é “A cabeça de Steve Jobs”, do editor-chefe da revista eletrônica Wired, Leander Kahney. Steve Jobs, o criador da Apple, é apresentado como um gênio excêntrico e criativo, extremamente preocupado com a qualidade e a estética. Não é a toa que os produtos da Apple alcançaram tamanho prestígio.

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Caso Facebook

O equivalente moderno para isso, também no Vale, é a criação do Facebook, encabeçada por Mark Zuckerberg e seus amigos, entre os quais o brasileiro Eduardo Saverin. A história é contada no livro “Bilionários por acaso”, que deu origem ao filme “A rede social”. Mark é apresentado como alguém que passou do isolacionismo nerd para nada mais nada menos o criador da maior rede digital de interação social de todos os tempos – tornando o bilionário mais jovem dentre aqueles que partiram do zero. Em maio de 2012, o Facebook realizou seu IPO (abertura de capital), tornando-se a maior empresa de informática do mundo, à frente de empresas como Google e Microsoft.

Universidades como berço de empreendedores

O Massachusetts Institute of Technology (MIT) é um exemplo de como as universidades podem ser motores de inovação. O instituto criou o Gordon Engineering Leadership (GEL), programa de liderança e inovação voltado para estudantes de engenharia.

No Brasil, várias instituições seguem esse caminho:

  • USP – conhecida por formar líderes e empreendedores de destaque;
  • UNICAMP – apontada como um potencial “Vale do Silício brasileiro”;
  • UFV – criou a incubadora de empresas CENTEV;
  • UFSJ – aposta na integração entre engenharia e administração.

Esses exemplos mostram como o empreendedorismo universitário está ligado diretamente ao futuro da engenharia e da inovação no país.

Por que o empreendedorismo universitário é essencial para engenheiros brasileiros

Engenharia é sinônimo de inovação tecnológica. Mas, sem mentalidade empreendedora, muitas ideias nunca saem do papel. Por isso, o empreendedorismo universitário não deve ser visto como algo “extra” pelos estudantes brasileiros, mas como parte essencial da formação.

Ele:

  • desenvolve visão estratégica;
  • amplia a capacidade de liderar projetos;
  • prepara para desafios reais do mercado;
  • fortalece o protagonismo do engenheiro como agente de mudança.

Veja Também: 4 dicas para aprender mais sobre empreendedorismo


Fonte: Clique Apostilas.

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