Durante décadas, a Ferrari construiu sua identidade sobre motores V8 e V12 barulhentos, vibração mecânica e emoção pura. A ideia de uma Ferrari silenciosa parecia impossível — quase uma heresia. Mas a pressão tecnológica, ambiental e competitiva levou a marca italiana a tomar a decisão mais ousada de sua história: criar um supercarro totalmente elétrico.
Assim nasceu o projeto que viria a se tornar o Ferrari Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da fabricante. Mais do que apenas um novo carro, ele representa uma mudança profunda de filosofia: a eletrificação não como substituição da emoção, mas como nova forma de performance extrema.
O nome “Luce”, que significa “luz” em italiano, simboliza essa nova fase — clareza, energia e visão de futuro.

Um projeto revelado em três etapas
A Ferrari decidiu apresentar o Luce em três fases estratégicas, cada uma destacando um pilar do projeto. Em outubro de 2025, revelou a base tecnológica, com arquitetura elétrica e plataforma desenvolvidas desde o início como 100% elétricas. Em fevereiro de 2026, mostrou o interior, focado em interação humana, materiais inovadores e design sensorial. Por fim, em maio de 2026, apresentaria o exterior, completando o conceito e consolidando sua nova identidade elétrica. Esse formato reforça que o Luce é mais que um carro, é um manifesto tecnológico.
After many years of development, I’m excited to share the interior of the first electric Ferrari designed by LoveFrom. Tactile controls and digital interactions blend into one cohesive interface, shaped through deep collaboration across engineering, interaction, graphics,… pic.twitter.com/0Z5ePjHLm7
— Mike Matas (@mike_matas) February 9, 2026
Como fazer uma Ferrari elétrica emocionar
Uma Ferrari sem som não seria uma Ferrari. Mas a marca rejeitou ruídos artificiais comuns em carros elétricos. A solução foi engenhosa: sensores captam vibrações reais do trem de força elétrico e amplificam essas frequências dentro da cabine, criando uma assinatura sonora autêntica. Pode-se dizer que é uma abordagem mais próxima de um instrumento musical do que de um sistema eletrônico — engenharia sensorial aplicada à emoção.
Principais características de design
Potência do motor
O coração do Ferrari Luce é uma arquitetura elétrica inédita com quatro motores independentes, um em cada roda. Essa configuração permite vetorização de torque individual, oferecendo controle absoluto da dinâmica do veículo.
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Os números são impressionantes:
- Mais de 1.000 cv de potência
- Torque instantâneo de 106 kgfm
- 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos
- Velocidade máxima superior a 310 km/h
A distribuição privilegia o eixo traseiro, podendo desacoplar o eixo dianteiro em 0,5 segundo para comportamento puramente de tração traseira — algo raro em elétricos. Essa engenharia resolve um dos maiores desafios dos carros elétricos: peso elevado e dinâmica esportiva.


Bateria
A Ferrari integrou a bateria estrutural de 122 kWh diretamente ao chassi, reduzindo o centro de gravidade e melhorando estabilidade e controle.
Principais características:
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- Arquitetura de 800 volts
- Autonomia superior a 530 km
- Recarga ultrarrápida de 350 kW
- Recupera cerca de 300 km em 20 minutos
- Densidade energética de 195 Wh/kg
Tal solução mostra como a engenharia elétrica está sendo usada para maximizar performance, não apenas eficiência.
Interior
Um dos pontos mais revolucionários do Luce é o interior, desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, fundado por Jony Ive (ex-Apple). Ao contrário da tendência atual, a Ferrari reduziu o uso de telas e trouxe de volta controles físicos e mecânicos, priorizando feedback tátil e operação intuitiva.
Entre as inovações:
- Alumínio reciclado usinado
- Vidro tecnológico Corning Fusion5 resistente a riscos
- Volante inspirado nos modelos clássicos dos anos 50 e 60
- Interface híbrida com displays OLED e comandos físicos


O objetivo é redefinir a relação entre piloto e máquina, mantendo a essência Ferrari mesmo na era elétrica.
Detalhes que mostram o nível de engenharia sensorial
O Luce não é apenas potência e eletrônica — ele foi projetado como experiência completa.
Alguns elementos únicos:
- Chave de vidro com tela E-Ink que inicia uma sequência luminosa ao ligar o carro
- Alavanca de câmbio feita em vidro usinado
- Relógio que vira cronômetro ou bússola com ponteiros reais
- Painel que simula instrumentos analógicos clássicos
Esses detalhes mostram a fusão entre engenharia, design industrial e psicologia da experiência.
Por que a Ferrari demorou tanto para lançar um elétrico
Enquanto outras marcas avançavam rapidamente nos elétricos extremos, a Ferrari manteve uma abordagem cautelosa, priorizando primeiro o desenvolvimento de híbridos como o SF90 e o 296. A razão era técnica: mais do que simplesmente criar um carro elétrico, a marca queria garantir que ele fosse uma Ferrari autêntica, preservando emoção mecânica, controle dinâmico, identidade sonora e uma experiência sensorial marcante. O Luce surge justamente como o resultado dessa espera estratégica.
O começo de uma nova era para a engenharia automotiva
Podemos concluir que a Ferrari Luce não é apenas um novo modelo, mas o marco inicial de uma nova era na engenharia automotiva, sintetizando três transformações centrais: a eletrificação usada como ferramenta de performance — focada não em sustentabilidade, mas em controle, potência e precisão; a engenharia sensorial, onde som, tato, luz e interação passam a integrar o projeto técnico; e a integração total entre design e engenharia, com materiais, interface e dinâmica concebidos como um único sistema.
Quando chegar às ruas, o Luce simbolizará a virada definitiva de uma marca historicamente ligada à combustão para a engenharia elétrica de alto desempenho e, acima de tudo, provará um princípio essencial: a emoção automotiva não depende do combustível, mas da engenharia — e a Ferrari acaba de reinventá-la.
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Fontes: Ferrari.
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