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UFRGS tem cervejaria para quebrar rotina teórica na engenharia

por Eduardo Slabocicor Cavalcanti | 30/01/2013
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O LabBeer é local para experiências e demonstrações práticas de algumas disciplinas de engenharia da universidade(Foto: Divulgação)

O LabBeer é local para experiências e demonstrações práticas de algumas disciplinas de engenharia da universidade
(Foto: Divulgação)

Aprender sobre cálculos de energia e de transferência de calor e fabricar cerveja não parecem ser duas tarefas compatíveis. Mas podem ser. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alunos da graduação e da pós-graduação dos cursos de engenharia mecânica, engenharia de energia e até agronomia aprendem sobre processos de produção enquanto fabricam cerveja. O LabBeer (uma junção das palavras laboratório e beer, que significa cerveja em inglês) funciona desde maio de 2012 e, além de colocar em prática fundamentos da engenharia, dá a oportunidade de alunos e professores apreciarem uma cerveja feita artesanalmente.

O LabBeer – título que também dá rótulo à cerveja – está instalado no Laboratório de Estudos Térmicos e Aerodinâmicos (LETA), que funciona na Escola de Engenharia da UFRGS, no centro de Porto Alegre (RS). O projeto, segundo o professor e coordenador do LETA, Paulo Schneider, surgiu no primeiro semestre do ano passado a partir da motivação dos próprios alunos e foi autorizado pela universidade como atividade de extensão. “O objetivo é integrar conhecimentos e interesses dos alunos de diversos níveis por meio de uma atividade que reúne o prazer pela fabricação de cerveja e os conhecimentos fundamentais e aplicados de engenharia”, explica Schneider.

Além das atividades de pesquisa, o LabBeer é local para experiências e demonstrações práticas de algumas disciplinas do currículo. É lá que os estudantes têm a oportunidade de quebrar o ritmo excessivamente teórico que caracteriza os cursos de engenharia, principalmente nos dois primeiros anos, pontua o coordenador. Segundo Schneider, a cervejaria pode servir para a aplicação de conhecimentos relacionados a medição de energia, controle de funcionamento de estruturas (como um trocador de calor, para resfriamento da cerveja), fazer inspeções e calcular a transferência de calor.

A planta do laboratório ainda está sendo desenvolvida. Os equipamentos vêm sendo adquiridos aos poucos, com os recursos internos do próprio laboratório. Para as aulas práticas, os participantes se responsabilizam pela compra dos insumos de cada batelada de fabricação de cerveja. A recompensa vem engarrafada: cada receita rende por volta de 30 litros, e cada aluno – todos maiores de idade – leva para casa três ou quatro garrafas de tamanho variável (pode ser de 0,5 ou 1 litro). Na confraternização de fim de ano, a cerveja serviu inclusive de presente para os professores do departamento. A única condição é de que ela não seja comercializada. E o professor faz questão de frisar: “é cerveja de qualidade”.

Para aproveitar a estrutura, o LabBeer também começou a promover cursos de cervejeiro. A primeira edição foi na quinta-feira, 24 de janeiro, para alunos e funcionários da universidade interessados em aprender o processo. O custo consiste na divisão dos ingredientes. Essa primeira rodada só com o público interno, segundo Schneider, é uma experiência para buscar a opinião dos participantes e montar uma estrutura de curso e um formato de apostila. Até março deste ano, a expectativa é abrir as inscrições para o público geral. “Queremos que seja um laboratório de cerveja dentro de um ambiente universitário”, observa o coordenador.

Estudos da USP ajudaram no reconhecimento da cachaça brasileira
No Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), o laboratório coordenado pelo professor Douglas Wagner Franco tem como objeto de estudo a aguardente de cana – a popular cachaça. Criado em 1993, o Laboratório para o Desenvolvimento da Química da Aguardente (LDQA) estuda as reações envolvidas no processo de envelhecimento da aguardente a partir de análises químicas e sensoriais dos produtos, que chegam de todas as partes do Brasil às mãos dos pesquisadores.

“Os resultados nos levaram a um conhecimento maior da química da aguardente e chegamos a assessorar o Inmetro e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na elaboração das normas atuais”, destaca Franco. No laboratório, trabalham pesquisadores das áreas de graduação e pós-graduação em química, que atuam no processo de produção aplicando conhecimentos de química analítica. O local, no entanto, não sedia nenhuma disciplina do curso, funcionando exclusivamente para a pesquisa científica.

A partir do desenvolvimento das pesquisas, o IQSC criou uma habilitação para o curso de química que, além do currículo básico, direciona os estudos para a parte de alimentos. Além disso, Franco diz que o LDQA é o único laboratório de universidades federais dedicado exclusivamente a estudar a química fundamental da aguardente e promover a aplicação dos resultados no produto final. “É isso que a gente busca aprender, e é isso com o que a gente procura trabalhar”, considera.

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Eduardo Slabocicor Cavalcanti

Empresário, empreendedor e alucinado por conhecimento, escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Formado em Engenharia Civil porém atua diretamente com diversas áreas da engenharia, e cursa MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios.

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