O povo brasileiro está entre os mais insatisfeitos do mundo quando o assunto é aprovação política. Agora, imagine como nosso país se comportaria se uma inteligência artificial assumisse o poder? Parece até roteiro de ficção científica, mas saiba que essa ideia pode se tornar real. Por exemplo, na vizinha Colômbia, uma candidata criada por inteligência artificial, a Gaitana IA, está disputando as eleições legislativas e promete, se eleita, mudar profundamente a forma como as decisões políticas são tomadas no país.

Esse exemplo nos serve de estudo de caso de Engenharia de Software e Engenharia de Sistemas, mas também nos faz refletir sobre o papel das plataformas digitais e da governança coletiva sobre o nosso destino. A Colômbia pode estar sendo usada como experimento global? Qual será o futuro da democracia? Podemos estar diante de uma transformação sem precedentes na ordem mundial.

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Gaitana IA
Imagem divulgação via CNN Brasil

Conhecendo a candidata Gaitana IA

O lançamento da Gaitana IA parecia, num primeiro momento, uma jogada de marketing para as redes sociais. Porém, com o tempo, as pessoas perceberam que era um projeto bem mais complexo de engenharia social — a interface de um experimento de democracia processado por inteligência artificial.

No discurso, prega-se a ideia de substituir líderes egocêntricos por sistemas de consenso digital. E é até difícil nós, do Engenharia 360, explicarmos isso em artigo sem levantar o questionamento: quem ficaria responsável por regular essa IA?

É claro que ter uma IA no comando político assustaria muita gente. Talvez por isso os criadores desta tecnologia, o engenheiro mecatrônico Carlos Redondo e seus colaboradores acadêmicos, tenham criado um avatar com tanta personalidade para representá-la.

Gaitana é mulher e indígena, mas com pele azul e características robóticas. Até onde se sabe, os representantes legais da candidatura é que ficariam responsáveis por executar decisões tomadas pelo sistema digital que sustenta a plataforma. Ou seja, caso a Gaitana IA seja eleita, quem ocupará fisicamente o cargo serão seres humanos.

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Gaitana IA
Imagem reprodução via G1

Como funcionaria o mandato híbrido no Congresso

Em 2025, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, chocou o país ao nomear Diella, uma inteligência artificial, como responsável pelas Compras Públicas. A tecnologia foi desenvolvida com base em um modelo da Microsoft e treinada em mais de 100 mil páginas de leis. O caso gerou grande repercussão.

Agora surge a Gaitana. Legalmente, nenhuma dessas IAs pode assumir sozinha suas atividades legais. Mas no caso da Colômbia, a proposta é que a inteligência seja operada por uma plataforma comunitária. Eleitores e usuários registrados (cerca de 10 mil) seriam responsáveis por enviar sugestões e demandas via chatbot. Depois, o sistema digital processaria os dados, traduzindo-os de uma linguagem popular para a geração de uma redação técnica. Por fim, o projeto só seria levado para a validação se a maioria da comunidade aprovasse através da web.

Carlos Redondo e Alba Rincón seriam os representantes legais da Gaitana, dando “corpo” às decisões da IA no plenário.

A engenharia por trás da proposta

A história do lançamento da Gaitana IA deve impactar o mundo das engenharias, já que sua base é essencialmente tecnológica, combinando diferentes áreas da computação. A plataforma utiliza modelos de linguagem avançados. Ela permite interações em linguagem natural (NLP), transforma ideias em textos estruturados e realiza traduções de termos técnicos da legislação. Vale notar que esse é um tipo de sistema já testado para análises jurídicas automatizadas e revisões de contratos.

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Blockchain na segurança dos votos

Como se pode imaginar, a vulnerabilidade a ataques cibernéticos e a proteção de dados pessoais são os pontos críticos dessa infraestrutura.

Para evitar que as decisões tomadas pela Gaitana IA possam ser manipuladas, os desenvolvedores da plataforma implementaram a tecnologia blockchain — conhecida por registrar dados em blocos criptografados e imutáveis. Cada votação realizada pela comunidade seria registrada em sistema especial, capaz de criar um histórico público, transparente e inalterável, como um “livro-razão”.

Os riscos de parlamentares de IA no mundo

Talvez a luta mais difícil que enfrentamos no mundo hoje é pela democracia. Gaitana IA parece estar ligada a um conceito que os especialistas chamam de ‘democracia digital’ ou ‘democracia participativa em redes’. Mas será que somos verdadeiramente civilizados para ter cidadãos participando honestamente da elaboração de leis, com as IAs funcionando como “interface” entre a população e o sistema legislativo? Ou será que ficaremos eternamente amarrados a práticas tradicionais de governança?

O ideal de inovação é, sem dúvida, muito atraente. No entanto, também não podemos ignorar os diversos riscos técnicos, sociais e éticos aos quais estamos expostos.

  • Alucinações da IA: respostas plausíveis, porém incorretas.
  • Vieses algorítmicos: reprodução de preconceitos presentes nos dados.
  • Distorções na interpretação: tradução enviesada de propostas políticas.
  • Segurança digital: risco de ataques cibernéticos e manipulação.
  • Limitações éticas: decisões políticas exigem julgamento humano.

Independentemente do resultado eleitoral, a candidatura de Gaitana IA já pode ter mudado a política global. Ela está ajudando a provar que tecnologias digitais podem ser usadas para tentar resolver problemas de democracia ou… ajudar a derrubar democracias, soberanias de países e proteção do meio ambiente se caírem em mãos erradas. Não há garantias de que um modelo desses funcionará ou não, muito menos se haverá aceitação popular.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem endurecido as regras contra o uso de robôs e desinformação nas eleições. A Resolução 23.610/2019 já proíbe o uso de bots para intermediar contato com eleitores de forma automatizada, o que praticamente inviabiliza uma “Gaitana brasileira” nas eleições de 2026. Entretanto, a Colômbia está ajudando a abrir um precedente para que tenhamos na América Latina um Governo como Plataforma (GaaP).

Veja Também: Como o Claude foi usado pelos EUA no ataque ao Irã


Fontes: G1, CNN, Mídia Max, Infomoney.

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