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Microprodutividade: plano da Microsoft de incluir microtarefas no seu feed e em todo lugar

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por Kamila Jessie
| 26/11/2019 3 min

Microprodutividade: plano da Microsoft de incluir microtarefas no seu feed e em todo lugar

por Kamila Jessie | 26/11/2019
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Já pensou em pop-ups que, não apenas te lembram de trabalhar, como também inserem serviço no meio do seu feed de notícias e nas redes sociais? A Microsoft testou um algoritmo de inteligência artificial que reconhece o trabalho que você tem que fazer e segmenta isso em microtarefas, que simplesmente aparecem no meio da sua navegação despretensiosa. O lado bom é a microprodutividade, que deixa um grande trabalho feito, quase “sem querer”. E o lado ruim?

microprodutividade no microsoft office
Imagem: i.ytimg.com

Uma ferramenta que entende o que você precisa fazer

Pesquisadores criaram um aplicativo de inteligência artificial (IA) que examina os documentos que você estava escrevendo no Microsoft Word para extrair tarefas simples de edição, como tornar uma frase menos prolixa. Em seguida, usando um plug-in do Chrome, o software apresentava essas tarefas para o usuário em um item do seu feed, um a cada 2.000 pixels. A ferramenta foi entregue a um grupo de teste, que começou a realizar as pequenas tarefas de trabalho, quando as viam em meio a scrolls distraídos pelo Facebook. Toda vez que uma microtarefa era concluída, o algoritmo de IA inseria o conteúdo automaticamente no arquivo Word adequado.

Pode parecer meio maluco trabalhar dessa maneira, mas os participantes do teste disseram ter desfrutado estranhamente dessas microtarefas. Basicamente, a conclusão desses pequenos serviços segmentados transmitiu a noção de produtividade. E isso é, de fato, um conceito: a microprodutividade, com o qual, você provavelmente também entrará em contato em breve, porque empresas como a Microsoft começaram a tecer microtasks em softwares comercial.

Microprodutividade atrapalhando a procrastinação (Oh, wait…)

A microprodutividade surgiu em parte como uma resposta evolutiva à queixa número um de todos sobre a vida no escritório: interrupções. Estima-se que, em média, tomamos um tempo de 25 minutos para retomar verdadeiramente uma tarefa da qual nos distraímos. Mesmo assim, nossa atenção se desloca pela tela do computador a cada 47 segundos, como descobriram as pesquisas de Gloria Mark, professora de informática da UC Irvine. E a cada interrupção, frequentemente perdemos o contexto. Quando voltamos, tendemos a esquecer o que estávamos fazendo. Pensando nisso, a equipe da Microsoft Research resolveu voltar a atenção (trocadilho intencional) a esses momentos fragmentados de deslocamento de atenção na tela.

O experimento com o Facebook funcionou tão bem que a Microsoft agora planeja colocar microtarefas embutidas no próprio Word. Talvez o Zuckerberg esteja na iminência de perder a alcunha de grande responsável pela procrastinação geral. E, paralelamente, a gente não vai precisar procurar aplicativos para manter o foco, tampouco armar artifícios que nos estimulem tanto a finalizar tarefas, na medida em que, segmentadas em microtasks, elas já virão até nós.

Enquanto estiver trabalhando, você poderá identificar pequenos pedaços que precisam ser feitos – como descobrir um fato ou terminar um parágrafo – e sinalizá-los com um símbolo @. Em seguida, o Word os envia como e-mails para você (ou para um colega, se você os tiver sinalizado). Vale pontuar que cada mensagem contendo uma tarefa pode ser concluída dentro do próprio e-mail. Uma vez feito, a Microsoft insere a edição novamente no documento do Word – não é necessário recortar e colar.

Um trabalhão

Pode-se imaginar microtasks florescendo por toda parte. À medida que a inteligência artificial melhora o reconhecimento de pequenas tarefas de nossos grandes projetos, ela pode começar a enviar DMs no Instagram com essas demandas ou nos atacar no Whatsapp por exemplo. Pode até ser divertido, além de extremamente útil, mas também parece um pouco perturbador, no sentido de reforçar a cultura de vício em trabalho.

Fontes: Wired. Microsoft Research.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217

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