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BDE Explica: como aplicar blocos cerâmicos em alvenarias portantes?

por Simone Tagliani | 06/04/2017
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Os blocos cerâmicos já são utilizados na construção de paredes de vedação há muitos anos, mas somente a evolução tecnológica das últimas décadas permitiu que materiais como esse, muito leve e resistente, pudessem ser aprimorados para a aplicação em outros setores da obra. O resultado final demonstrou um desempenho surpreendentemente maior, em termos de conforto e economia.

Hoje, não se tem dúvidas de que o sucesso de qualquer obra está relacionado com a qualidade do material empregado. Peças mais resistentes podem multiplicar o uso dos sistemas. Os blocos cerâmicos, por exemplo, podem ser empregados em alvenarias estruturais para edificações de pequeno e médio porte, suportando vários pavimentos. E nesse caso, as paredes têm a função de sustentar toda a construção, dispensando qualquer sustentação em concreto armado.

(imagem extraída de Jorge Blocos)


+ Alvenaria portante ou estrutural

A alvenaria portante ou estrutural é muito utilizada em construções de escalas menores, principalmente em obras residenciais. Nesse método, vedação e estrutura funcionam como um só. As paredes devem ser capazes de suportar todo o peso da edificação e os esforços solicitantes do projeto, sem a necessidade de certas peças em concreto armado, como as vigas e os pilares. Se forem utilizados blocos em cerâmica, as peças precisam ser estruturais, ou seja, com alto padrão de qualidade e grande resistência.

(imagem extraída de Ebah)

+ Características dos blocos cerâmicos

Os elementos cerâmicos são obtidos a partir da queima de argila em alta temperatura. Há uma grande variedade de peças disponíveis no mercado. Cada uma possui função, parâmetro e tamanho diferentes. Têm os blocos estruturais inteiros, os meio-blocos, os blocos de 45 graus, os blocos canaletas e mais. Tanta opção permite mais flexibilidade nas composições arquitetônicas, que acabam sempre limitadas, dentro de um sistema rígido de modulações e encaixes precisos.

A escolha dos tipos de blocos cerâmicos estruturais é essencial para qualquer projeto. Um sistema bem planejado distribuirá, adequadamente, todas as cargas nas fundações. Peso e uniformidade dimensional influenciarão nesse somatório – uma parede de 14 cm de espessura, por exemplo, pode pesar cera de 120 kg/m². As sapatas corridas são, em tal caso, uma boa opção. Mas, elas devem ser dimensionadas de acordo com o tipo de solo onde a edificação será construída.

(imagem extraída de Jean Tosetto)

+ Concreto versus cerâmica

A escolha entre o bloco de concreto e o bloco cerâmico depende de vários fatores, como o preço, o aspecto estético, as propriedades térmicas, o número de pavimentos da edificação e outros. Mas, resumindo, faz relação com o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos, estruturais e de instalações. No caso da alvenaria aparente, o bloco cerâmico combina mais. Sua resistência é menor, mas a peça é mais lisa e mais leve, o que possibilita certas facilidades projetais.

+ Vantagens e desvantagens

Uma das vantagens da alvenaria portante em blocos é que há a possível existência de furos na vertical, que permitem facilmente a passagem de tubulações de instalações elétricas e hidráulicas sem qualquer necessidade de quebras. Isso gera muito menos entulho na obra, deixando o canteiro mais limpo e ecológico.  E, somando a outras vantagens, o uso dos blocos cerâmicos deixa a construção mais simples, rápida, fácil e econômica.

Outras vantagens:

  • Redução no uso de materiais como concreto, ferragem e madeira – que seria para as fôrmas;
  • Obra racionalizada, sem desperdícios ou improvisações;
  • Facilidade de execução e supervisão da obra, reduzindo a necessidade de contratação de certos especialistas, como carpinteiros e ferreiros;
  • Melhor conforto acústico e menor condutibilidade térmica.

(imagem extraída de UFRGS)

A modulação é algo obrigatório em projetos com blocos cerâmicos. Por isso, o engenheiro civil e o arquiteto precisam prever, antecipadamente, qualquer alteração futura. Modificações de pontos de instalações ou de outro subsistema, além da demolição de paredes, não podem ocorrer sem supervisão. Certas peças jamais poderão ser cortadas, serradas, removidas ou alteradas se possuem a função estrutural. Por isso há tantas restrições no caso de reformas.

Outras desvantagens:

  • Menor aderência às argamassas e revestimentos;
  • Menor resistência mecânica – em relação às peças em concreto;
  • Menos regularidade geométrica.

(imagem extraída de Cerâmica Cidade Nova)

+ Etapas construtivas

O ponto que se deve ter mais atenção na hora da execução de alvenarias portantes em blocos cerâmicos é a determinação de quais peças serão utilizadas nas diferentes etapas construtivas.  Decisões como essa precisam envolver mão-de-obra especializada, sempre, pois a técnica tem fases complexas que necessitam de acompanhamento.

Primeiro, deve-se fazer o apoio para a laje principal com uma cinta de respaldo, onde todas as paredes serão amarradas. Depois, qualquer abertura, de portas e janelas, receberá vergas e contravergas, que deixarão a edificação estável. Para um sistema ainda mais rígido e de baixa absorção às deformações, a argamassa de assentamento dos blocos deve, preferencialmente, ter seus componentes controlados através de ensaios. Mas, a ‘massa’ mais importante do sistema é o ‘graute’ – um tipo de concreto com agregado fino, de alta plasticidade, que servirá como enrijecedor estrutural.

(imagem extraída de Equipe de Obra – PiniWeb)

+ Grauteamento

O grauteamento serve para preencher todos os espaços vazios dos blocos, todas as cavidades onde serão acomodadas as armaduras e as amarrações das paredes. Tudo que é de metal precisa ser colocado corretamente dentro dos furos e nunca à exposição além do graute, porque podem ocorrer corrosões. O lançamento da massa só deve ser realizado depois de vinte e quatro horas do assentamento dos blocos, a uma altura máxima de 3m. Depois de erguida a parede, a superfície já pode receber as camadas de proteção, acabamento e regularização.

O vídeo, a seguir, foi desenvolvido pelo SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e mostra como é realizada a aplicação dos blocos cerâmicos em obras de engenharia e arquitetura:

O uso dos blocos cerâmicos na construção civil deve atender às normas vigentes. Veja, a seguir, quais delas podem ser consultadas, para se obter mais informações sobre o material, antes da elaboração de um projeto.

  • NBR 15812-1 Alvenaria estrutural – Blocos Cerâmicos | Parte 1: Projetos.
  • NBR 15812-2 Alvenaria estrutural – Blocos Cerâmicos | Parte 2: Execução e controle de obras.
  • NBR 15270-2 Componentes cerâmicos | Parte 2: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – Tipologia e requisitos.
  • NBR 15270-3 Componentes cerâmicos | Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de Ensaio.
  • NBR 7171/92 – Bloco Cerâmico para alvenaria. Especificação.
  • NBR 8042/83 – Bloco Cerâmico para alvenaria. Formas e dimensões. Padronização.
  • NBR 6461/83 – Bloco Cerâmico para alvenaria. Verificação da resistência à compressão.
  • NBR 8043/83 – Bloco Cerâmico portante para alvenaria. Determinação da área líquida.

 
Fontes: TéchnePiniWeb, Blog Aprenda a Construir e ReformarORC ConstruçõesFK Comércio.


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Simone Tagliani

Graduada em Arquiteta & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.

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